Londrina - Coberta por uma lavoura de café, a propriedade rural da família do autônomo Edmilson Miguel de Assis é cortada por uma rua pertencente à zona urbana, onde passa um ônibus do transporte coletivo. A chácara, localizada no Parque Presidente Vargas (Zona Norte de Londrina), fica a poucos quilômetros da Avenida Saul Elkind, no centro comercial dos Cinco Conjuntos. Da plantação de café é possível avistar as casas dos bairros vizinhos, onde também funcionam escolas, farmácias, padarias e outros estabelecimentos comerciais.
Tradicionalmente rural, a família Assis é exemplo de um fenômeno que acometeu também outras propriedades do município. Instaladas em regiões próximas à zona urbana, essas áreas foram engolidas pela cidade com o crescente processo de urbanização.
Por causa dessas circunstâncias, Edmilson, de 33 anos, nasceu na zona rural e passou a morar na cidade sem ao menos mudar-se de casa. Segundo ele -que atualmente reside em um bairro vizinho com a esposa-, os pais compraram os dois lotes de três mil metros quadrados há 39 anos e, desde então, a família explorou diferentes culturas no local. "Faz uns cinco anos que voltamos a plantar café", conta ele, que assim como os irmãos teve que arrumar trabalho na cidade quando veio o casamento e o crescimento da família.
Da infância passada no sítio, ele recorda que toda a vizinhança era formada por cafezais. "Hoje está bem diferente", avalia. O autônomo pretende voltar a morar na propriedade assim que tiver condições de construir a própria casa no terreno. "Não tem violência e a qualidade de vida é melhor. Quero criar meu filho aqui", diz.
Agricultor até a década de 70, Paulo Rodrigues Ferreira, 63, morou alguns anos na cidade e desde 1999 é proprietário de uma chácara na zona urbana da região Norte. No local ele tem uma horta, cria galinhas e planta frutas. A renda da produção é exclusiva para consumo da família e pagamento das despesas da chácara. Ferreira, que trabalhava como pedreiro, comprou a área para acomodar melhor as famílias dos filhos, que também construíram casas no terreno. "A gente mora no sítio, mas dentro da cidade", afirma.
Na Zona Leste, muito perto do aeroporto, Bruna Shirley Moreira, de 24 anos, vive a mesma situação. Na chácara de uma tia, ela leva uma vida pacata com o pai, o marido e a filha pequena, que tem a oportunidade de subir em árvores e brincar na terra mesmo morando na área urbana.

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