A Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Paraná, quer ouvir os posseiros da comunidade de Rasgadinho, em Guaratuba, que acusam o fazendeiro Sérgio Cavalcanti de utilizar práticas intimidatórias para expulsá-los da região e aumentar suas terras.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wagner Rocha D‘Angelis, disse que um grupo de trabalho formado por cinco advogados foi criado para estudar o conflito entre o fazendeiro e as 19 famílias de agricultores que formam a comunidade. O grupo se colocou à disposição da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que presta assessoria jurídica às famílias. No domingo passado, a Folha mostrou a situação no local.
Desde dezembro do ano passado, os agricultores enfrentam situações como o suposto estupro de uma agricultora, o assassinato do pistoleiro Joacir, que trabalhava para Cavalcanti, e o desaparecimento do agricultor José Soares nas matas da localidade. Além disso, os búfalos do fazendeiro chegam a circular livremente pelas propriedades dos posseiros, danificando a lavoura e impedindo as crianças de irem à escola de Rasgadinho.
‘‘A situação nos causou estarrecimento’’, comentou Wagner D‘Angelis, relembrando que o litoral do Estado já passou por disputas por posse de terra nas décadas de 70 e 80.
Wagner D‘Angelis revelou que o fazendeiro Sérgio Cavalcanti já se envolveu num ‘‘passado recente’’ em casos de expulsão de agricultores.
‘‘Não é a primeira vez que este senhor usou expedientes intimidatórios para expandir seus domínios territoriais’’, afirmou D‘Angelis. Cavalcanti é apontado pelos agricultores como o responsável pelas frequentes interrupções das aulas na escola de Rasgadinho e de incentivar seus capangas armados a espalharem o medo entre os moradores.
O fazendeiro nega. Diz que é vítima de uma trama mentirosa da CPT e dos posseiros, interessados nas riquezas da região.
Wagner D‘Angelis disse ontem que oficializou comunicados à Secretaria da Justiça, que designou um representante para acompanhar as discussões na OAB.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos também encaminhou pedido ao secretário da Segurança Pública, Rubens Tanure, para designar um delegado e um perito criminal que apurem as responsabilidades pelo conflito e o levantamento dos prejuízos causados pelos búfalos nas plantações.
D‘Angelis soliticou ainda que a Procuradoria Geral de Justiça convoque um promotor especial para acompanhar o conflito, para não sobrecarregar o Ministério Público local. A Assembléia Legislativa já havia feito pedidos de providências a Tanure, ao prefeito Everson Kravetz (PSDB) e ao procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia.

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