OAB vai analisar denúncia de tortura
BRIGA NA PC
OAB vai analisar denúncia de tortura
A Ordem dos Advogados do Brasil - seção Paraná (OAB-PR), vai analisar as acusações de tortura feitas pela investigadora Raquel Bandeira, 45 anos, contra o delegado Marcos Antonio de Oliveira, da Delegacia de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, e publicadas pela Folha na semana passada. A OAB-PR quer também visitar as duas delegacias - a de Campo Largo e a Delegacia de Furtos e Roubos, de Curitiba - nas quais teriam ocorrido sessões de tortura. O porta voz do Departamento da Polícia Civil, Luiz Alberto Cartaxo Moura, disse ontem que não haverá nenhum impedimento à visita dos advogados.
Em fax à Folha, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wagner Rocha DAngelis, afirmou ter designado um grupo tarefa, integrado por três advogados e ele próprio, para analisar as acusações. Segundo ele, o grupo e a advogada Lúcia Beloni Corrêa Dias, que responde pela Comissão de Estabelecimentos Prisionais da OAB-PR, devem visitar as duas delegacias, em virtude dos indícios de práticas de tortura em suas dependências.
As supostas agressões foram denunciadas por Raquel Bandeira, na segunda-feira da semana passada. Ela registrou queixa na Corregedoria da Policia Civil e Promotoria de Investigações Criminais, onde deixou cópias de duas fitas cassete que confirmariam as acusações. Segundo ela, as fitas foram gravadas na Delegacia de Campo Largo durante as sessões de tortura. Juntas as fitas têm 11 minutos. Delas ouve-se pancadas, gritos de dor, ameaças, choros, xingamentos, gargalhadas e pedidos de clemência.
Além do delegado de Campo Largo, os investigadores Moacir Santos Silva e Fernando de Freitas e o escrivão Patrich Mazzolli, Campo Largo, e dois agentes da Furtos e Roubos são acusados de participar das torturas. Uma das supostas vítimas, que confirmou as denúncias à Corregedoria e à Promotoria, disse que foi levada à Delegacia de Furtos e Roubos, na qual foi posta no pau-de-arara e passado por sessões de afogamento e choques.
O delegado e os investigadores negam o crime. Oliveira havia detido Raquel um dia antes das denúncias por envolvimento com o tráfico de drogas. Sem provas, o delegado teve que liberar a investigadora. Raquel disse que a acusação de tráfico somente foi feita depois que o delegado descobriu que ela preparava um dossiê contra ele. (J.A.)





