Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Subseção de Cascavel da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu pedir à Assembléia Legislativa (AL) do Paraná a cassação do mandato do deputado-radialista Tiago de Amorim Novaes (PPB), por falta de decoro parlamentar. O motivo são as agressões verbais com fim desmoralizatório, proferidas publicamente por Tiago contra o tenente-coronel Ailton Lino da Silva, comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (6º BPM) de Cascavel.
A decisão da OAB foi tomada na noite de anteontem, pelo Conselho da Subseção. Segundo o presidente Maurício Vieira, o deputado Tiago de Amorim Novaes ostentava a condição de parlamentar quando foi entrevistado no final da semana passada em programa da televisão a cabo ‘‘Sistema Oeste de Televisão’’. Na entrevista, de forma explícita e repetidamente, chamou o comandante do 6º BPM, entre outras coisas, de cachorro, safado, imbecil, quadrilheiro e incapaz para comandar a tropa.
Maurício Vieira disse que esta postura é ‘‘lamentável sob todo e qualquer aspecto’’ e demonstra ‘‘a personalidade’’ do deputado radialista que ‘‘tenta fazer com que as coisas se concretizem até mesmo mediante coação’’. Para o presidente da subseção, o deputado ‘‘não foi eleito para isso e a população deve refletir melhor na hora de eleger seus representantes’’. Tiago de Amorim Novaes teve 44 mil votos.
O deputado radialista iniciou carreira política como vereador em Cascavel e apresenta programa policial na rádio Capital, frequentemente gerado de Curitiba, por telefone. O dono da Capital, ex-prefeito e deputado Jacy Miguel Scanagatta, esteve no 6º BPM pedindo desculpas ao comandante. Scanagatta disse que sua emissora ‘‘não é para ser usada contra instituições ou agredir pessoas’’.
Ailton Lino da Silva confirmou ontem que na próxima semana (possivelmente quarta-feira) estará na AL para audiência pública na qual apresentará gravações (vídeo e áudio) sobre as agressões. Silva quer que o caso seja analisado pela comissão de ética da AL. A Associação de Defesa dos Direitos da Polícia Militar do Paraná anunciou que, na audiência, estarão presentes representantes de todas as unidades da PM em solidariedade ao comandante.
Tiago de Amorim Novaes fez referências a Silva até segunda-feira na rádio e não voltou mais ao assunto. Ele não quer se pronunciar sobre o caso, e diz que falará com o comandante ‘‘apenas na Justiça’’, porque vai processá-lo por especulações envolvendo dois automóveis que utiliza, sem placas – a PM investigou a situação legal dos carros. O sargento Dirceu Katarinhuk, designado há um mês para fazer a segurança a Tiago – que alegava ter recebido ameaças anônimas – encerrará hoje sua tarefa.

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