Cascavel - A Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Cascavel, realizou ontem um ato de desagravo público no Fórum contra o juiz da 2ª Vara Criminal, Pedro Luiz Sanson Conrat, que em novembro de 2000 teria desrespeitado o advogado Marcelo Euzébio de Paula em frente à sua cliente durante uma audiência. O juiz não compareceu ontem ao Fórum, por isso não teve acesso ao teor do desagravo promovido por dezenas de advogados.
Marcelo Euzébio conta que no dia 27 de novembro de 2000 estava marcada uma audiência de sua cliente na 2ª Vara Criminal. Ao chegar ao local o advogado foi comunicado que as partes seriam ouvidas em separado. Ele questionou a medida tomada pelo magistrado, e teria tomado uma resposta que não lhe agradou. ‘‘Ele me disse com ar de deboche se eu nunca tinha lido o Código de Processo Penal’’, completa.
Marcelo garante que não disse mais nada ao juiz, tendo se retirado da sala de audiências. Em seguida, o advogado se dirigiu à OAB onde solicitou a realização do desagravo público, além da abertura de um processo administrativo por parte do Tribunal de Justiça. Baseado nos fatos, a direção da OAB decidiu realizar pela primeira vez em Cascavel, o desagravo no próprio Fórum e aberto ao público.
Sobre o processo administrativo, Marcelo disse que o Tribunal não entendeu que o juiz teria lhe ofendido, por isso não foi aberto. O advogado afirma que trabalha há 17 anos em Cascavel e nunca tinha passado por situação semelhante. Segundo ele, entre advogados, promotores e juízes existe um ‘‘código de cordialidade’’ que precisa ser respeitado.
A presidente da OAB, em Cascavel, Nerilda Bittencourt Vendrame, diz que essa não é a primeira vez que ocorre um desrespeito por parte de juízes ou promotores contra advogados. Ela afirma que o desagravo público tem o objetivo de evitar que problemas semelhantes voltem a acontecer.
Na época da audiência, o juiz Pedro Sanson entrou com um processo contra o advogado por calúnia e difamação, já que Marcelo deu algumas declarações que ele considerou ‘‘mentirosas’’. A assessoria do magistrado informou que ele não esteve ontem trabalhando no Fórum.

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