OAB pedirá interdição de carceragem
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe Folha 
Curitiba - A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR) deverá solicitar à Vigilância Sanitária a interdição da carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba. A comissão argunta que problemas vão desde a superlotação até de higiene e ventilação. ''Encontramos um preso que está há quatro anos sem a ver a luz do sol'', informa Isabel Kugler Mendes, secretária da comissão. O grupo esteve no local na última sexta-feira e encontrou pelo menos dois presos com sérios problemas de saúde.
''Solicitamos o atendimento imediato desses dois casos e vamos pedir uma inspeção da Vigilância'', conta. Segundo Isabel, os 67 presos ocupam um espaço destinado a 40 pessoas. ''A carceragem fica no subsolo do prédio e não há qualquer entrada de luz solar'', aponta. Outro problema detectado pela comissão seria a existência de buracos no chão que dariam acesso direto ao esgoto. Os presos convivem com insetos e ratos e muitos apresentam problemas de pele como micose e sarna. Um dos casos mais graves, conta Isabel, é de um rapaz que já foi condenado, mas permanece há um ano e nove meses na carceragem. ''Ele corre o risco de perder a visão por causa das condições do local'', alerta Isabel.
Os representantes da OAB também estiveram no 9º Distrito, que abriga mulheres. Apesar do local estar superlotado, com 50 presas num espaço destinado a 20, não há problemas de higiene.
O eventual fechamento da carceragem irá agravar a situação dos presos em Curitiba. A Vigilância Sanitária já interditou outras duas cadeias, no 11º e 12º Distritos, por causa das condições precárias de higiene. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), estão sendo realizadas obras nos dois distritos e a transferência de presos para o Centro de Triagem continua, mas depende dos trâmites burocráticos.
A comissão se reuniu ontem com o procurador-geral de Justiça do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior Neto. Estiveram no Ministério Público (MP), além de Isabel, o presidente da Comissão, Cleverson Marinho Teixeira e o vice, Marino Galvão.


