OAB pede abertura de cadeias públicas
Luciana Pombo
De Curitiba
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná, Edgard Luís Cavalcanti de Albuquerque, pediu ontem a abertura de todas as cadeias públicas do Paraná e a liberação de presos que tenham permanecido nas celas por mais de dez dias, sem terem processos definidos. Não estamos pedindo nada demais. Apenas queremos que a lei seja cumprida no Estado e que os direitos humanos sejam respeitados, afirmou.
O pedido foi encaminhado ontem ao juiz corregedor dos presídios da Comarca de Curitiba, Roberto Antonio Massaro, junto com o relatório do Conselho da Comunidade (composto pela Pastoral Carcerária, OAB, Grupo Tortura Nunca Mais, Conselho Regional de Serviço Social e Centro Acadêmico de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná).
O relatório aponta os problemas e deficiências dos distritos e delegacias visitados em Curitiba. De acordo com o presidente do Conselho da Comunidade, Luiz do Nascimento Lima, para cada vaga existente nas cadeias públicas existem quatro presos. É humilhante. Tem gente que tem que dormir sentado ou em pé por falta de espaço, argumentou ele. Dos 800 presos na Grande Curitiba (600 na capital), um terço é condenado e aguarda vaga no sistema penitenciário.
Enquanto o índice de reincidência de crimes de presos que cumprem pena em penitenciárias é de 3%, nas cadeias o índice chega a 35%. Estamos com cerca de 250 pessoas nas cadeias de Curitiba que vão ser soltas e continuarão a praticar crimes, porque não puderam ter acesso à educação e ao trabalho, afirmou Lima.
Na conclusão do relatório, o Conselho da Comunidade sugere que o governador Jaime Lerner seja denunciado por maus tratos e violação dos direitos humanos à Corte Internacional de Justiça, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). Se nada for feito, poderemos denunciar o governador. Não podemos deixar que as pessoas sejam tratadas pior do que os animais. É melhor matar de uma vez que mantê-las presas. Isso é uma forma de pena de morte, defendeu Albuquerque.
Uma das principais denúncias feitas no relatório foi sobre a situação carcerária da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, onde os presos foram despojados de seus pertences e são mantidos em locais escuros, úmidos, insalubres, com pouca ventilação e sem acesso à água potável. O próprio delegado chegou a me contar que os presos são colocados em pau-de-arara para confessar os crimes, relatou Lima. Este ano, dois casos de mortes foram constatados nos distritos. No 11º um preso morreu por intoxicação alimentar; no 7º, outro morreu por problemas sérios de saúde. O que precisamos fazer é simples: respeitar os direitos humanos. E o poder público é o maior violador disto, garantiu Albuquerque.
Roberto Massaro recebeu o relatório e disse que irá investigar as denúncias. Ele admitiu que existe a possibilidade de pedir a interdição definitiva de alguns distritos. Vamos apurar essas denúncias, que são extremamente graves. Poderemos fazer a nossa parte, mas o Executivo terá que cumprir também o seu papel, declarou ele.Documento foi encaminhado a juiz corregedor de presídios pedindo a soltura de presos que não tenham processo definido
José SuassunaSuperlotaçãoOAB (detalhe) está pedindo a liberação de detidos sem processo que tenham permanecido mais de dez dias presos





