Na manhã de ontem advogados ocuparam simbolicamente o prédio inacabado do Fórum de Curitiba, no Centro Cívico. A ocupação organizada pela diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, tem o objetivo de constranger as autoridades públicas. Segundo o presidente da OAB-Paraná, Edgard Luiz Cavalcanti de Albuquerque, essa é a única medida que resta. ‘‘Já conversamos com todos eles, governador, presidente do TJ (Tribunal de Justiça), prefeito, presidente da Assembléia (Legislativa) e até hoje nada foi feito’’, reclamou.
A construção foi iniciada durante o governo José Richa, em 1982, está paralisada há 15 anos e já consumiu R$ 14 milhões. Os advogados vão ‘‘ocupar’’ o esqueleto do fórum até o início da tarde de hoje, quando acontece uma implosão simbólica do prédio com fogos de artifício. No alto da construção abandonada foi colocada uma faixa com a frase: ‘‘Prédio público? Não. Vergonha pública!’’
A obra inacabada tem 42 mil metros quadrados e existe uma polêmica sobre a melhor destinação. Técnicos afirmam que a estrutura está comprometida e o prédio deveria ser implodido. ‘‘Eu que não sou técnico percebo que há vigas tortas e que isso não tem mais condições para uso’’, afirmou.
Os advogados querem um prédio com infra-estrutura para o Judiciário em Curitiba. Entre as propostas da OAB está a transformação da Prisão Provisória de Curitiba, o Presídio do Ahú, em fórum municipal depois da transferência da penitenciária para o município de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Outra alternativa seria a transformação de um dos prédios das secretarias de Estado, no Centro Cívico, em Fórum. Várias pastas serão transferidas para a antiga sede administrativa do Banestado, no bairro Santa Cândida, que não foi vendida ao Banco Itaú.
A assessoria da Secretaria da Administração, responsável pela transferência, informou que não há prazo para a mudança. Antes terão que ser feitos estudos para saber quantas pastas poderão sair do Centro Cívico.
‘‘O que não pode continuar é a falta de estrutura do Judiciário de Curitiba. Existem algumas varas em prédios de cobertura de zinco, sem janelas e onde os processos ficam no chão’’, reclama Cavalcanti. ‘‘Se os advogados não têm condições de trabalho, é a população que sofre as consequências.’’
‘‘O presidente do TJ não tem nada oficial e o prefeito de Curitiba que diz viver em uma cidade de primeiro mundo não é capaz de ver essa vergonha com o dinheiro público que fica bem ao lado da prefeitura’’, completa Cavalcanti. A assessoria da prefeitura informou que a competência sobre o que fazer com o prédio do Fórum é do TJ.

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