Lúcio Horta
De Londrina
A subseção londrinense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai formar esta semana um grupo de advogados para estudar o pedido de abertura de uma comissão processante contra as pessoas envolvidas em denúncias de irregularidades na AMA-Comurb (Autarquia Municipal do Ambiente/Companhia Municipal de Urbanização) e que ainda ocupam cargos eletivos. A decisão foi tomada um dia após o depoimento do ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso, que responsabilizou o prefeito Antonio Belinati (PFL) pela maioria das irregularidades investigadas hoje na prefeitura. As acusações de Alonso foram feitas terça-feira à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores.
Segundo o presidente da OAB local, Lauro Zanetti, o grupo de advogados terá entre três e cinco membros, sem prazo definido para concluir o trabalho. ‘‘Vamos analisar serenamente os documentos existentes, ver quais foram os atos praticados e, se existem provas, propor as medidas cabíveis’’, disse ontem. Ele destacou que o resultado do trabalho será levado até a comunidade para que esta decida pelo pedido de abertura da comissão processante (CP). ‘‘Até poderíamos propor sozinhos, mas como estamos discutindo o caso com a sociedade, vamos decidir juntos.’’
Embora não prefira citar nomes, Zanetti disse que ‘‘dificilmente’’ o trabalho dos advogados não conclua pelo pedido de abertura da comissão processante, independentemente da investigação já desenvolvida pela CEI.
Além da posição da OAB, as entidades que estão acompanhando as investigações na administração municipal decidiram fazer na segunda-feira, às 19 horas, no auditório da própria OAB, uma nova reunião com praticamente todas as entidades organizadas. Mais de 150 serão convidadas e a expectativa é que pelo menos 100 delas compareçam.
‘‘Queremos ampliar o nosso grupo. Até porque a sociedade em breve terá que tomar uma decisão’’, disse o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Valter Orsi. A decisão de convocar a ‘‘assembléia’’, como a reunião também está sendo chamada, foi tomada anteontem, na Igreja Imaculada Conceição, pelas entidades que desde 99 estão acompanhando as investigações do Ministério Público – entre a Acil, Igreja Católica, Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Maçonaria e Centro de Direitos Humanos (CDH).
A reunião também serviu para avaliar o depoimento de Alonso na CEI. ‘‘Ele fez denúncias extremamente sérias, entregou um dossiê e a expectativa era que houvesse o pronunciamento das pessoas acusadas, que devem satisfação à sociedade’’, disse Orsi. ‘‘No mínimo o prefeito deveria apresentar a sua defesa para que a sociedade saiba se as acusações têm fundamento ou não. Mas o prefeito reagiu com silêncio e isso não é o melhor’’, acrescentou o padre Manoel Joaquim, assessor de comunicação da Arquidiocese.
O presidente da CEI, vereador Antenor Ribeiro (PPB), disse ontem que por enquanto não irá pedir abertura de uma CP. ‘‘Estamos em pleno andamento das investigações, ouvindo pessoas citadas e tomando outras providências. A questão da comissão é a finalização do trabalho’’, disse. Ele reafirmou que todas as pessoas citadas nos depoimentos serão ouvidas e que o prefeito Belinati deve ser chamado a depor. ‘‘No momento em que estivermos necessitando, vamos chamar.’’

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