Da Redação
Cópia de um dossiê com depoimentos de pessoas envolvidas no caso chamado ‘Escândalo AMA/Comurb’ e um ofício pedindo providências foram enviados ontem ao Tribunal de Contas do Estado. A iniciativa é do Movimento pela Moralidade Pública, formada por cerca de 40 entidades de Londrina que estão acompanhando as investigações sobre as irregularidades na administração pública, principalmente na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
O dossiê foi também enviado para 135 sindicatos, clubes de serviço, veículos de comunicação, deputados estaduais e federais e senadores do Paraná. Ele é composto por cerca de 30 depoimentos e declarações prestados entre agosto e novembro ao Ministério Público e à Polícia Civil por ex-diretores e funcionários das autarquias, além de representantes de empresas que supostamente venceram licitações. A maioria das empresas ‘ganhadoras’ dos processos licitatórios é de Curitiba.
Os depoimentos vinham sendo mantidos em sigilo pelo MP para não atrapalhar as investigações. No dia 13, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) obteve cópias junto ao MP, que entendeu que não haveria mais necessidade do sigilo. A documentação foi colocada à disposição da comunidade porque, segundo o presidente em exercício da OAB, Lauro Zanetti, a população tem direito às informações.
‘‘Queremos transparência e que todos tenham conhecimento do que vem acontecendo’’, alegou o presidente em exercício da subseção de Londrina da Ordem. ‘‘Esperamos que as pessoas que receberam o dossiê tenham consciência e ajudem a tomar as providências cabíveis, cada um na sua esfera.’’ Zanetti disse acreditar que a divulgação dos depoimentos não irá trazer prejuízos às pessoas que falaram ao Ministério Público. ‘‘As pessoas que fizeram declarações assumiram a responsabilidade.’’
Lauro Zanetti justificou o ofício pedindo providências ao Tribunal de Contas argumentando que as ‘‘fraudes nas licitações e o desvio do dinheiro foram comprovados nos depoimentos’’. Por ocasião dos depoimentos, a Folha publicou reportagens com base nas declarações. Em alguns dos depoimentos, as afirmações são de que o dinheiro que teria sido desviado dos cofres públicos (estima-se em R$ 15 milhões) foi supostamente utilizado em campanhas eleitorais dos grupos políticos do prefeito Antonio Belinati (PFL) e do deputado federal José Janene (PPB).
Segundo a coordenadoria de comunicação do Tribunal de Contas, as providências já estão sendo tomadas. Um levantamento foi feito em Londrina e a análise do caso está sendo realizada. Os detalhes não foram divulgados.
As irregularidades nos órgãos municipais começaram a ser investigadas em fevereiro pelos promotores Bruno Galatti (da Defesa do Patrimônio Público) e Cláudio Esteves (Investigações Criminais). O caso está sendo apurado também pelas polícias Civil e Federal e pela Câmara de Vereadores, que instaurou Comissão Especial de Inquérito (CEI). Na semana passada, o prefeito assinou portaria instituindo comissão de sindicância para apurar as denúncias.

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