OAB diz que presos da PCE estão sendo torturados
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
Erika Wandembruck Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seção Paraná e membro do Conselho Penitenciário, Dálio Zippin Filho, detectou durante vistorias realizadas ontem e anteontem na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, sinais de tortura contra mais de 20 presos. Os detentos teriam apanhado de policiais militares. Conforme relato dos presos, a agressão foi em represália ao tiroteiro, que ocorreu em 25 de março, em que um preso foi morto por outro no pátio.
Os presos foram atingidos nas costas, nádegas, pernas e pés com ripas, conta Zippin. Os detentos dizem que foram obrigados a rastejar no chão, sem roupas e que, para intimidá-los, os policiais deram tiros de escopeta, que teriam atingido três deles. Zippin prometeu elaborar relatório que será encaminhado ao Ministério da Justiça, Ministério Público e Secretaria de Segurança.
A promotora do Centro de Apoio à Integridade Humana do MP, Mônica Azevedo, se mostrou surpresa com o relato dos presos. Estive lá anteontem, mas não detectei irregularidades, porque não conversei com os detentos, assinalou. Ela disse que vai autuar criminalmente os responsáveis pelas agressões assim que os mesmos forem identificados. Afirmou que a Lei de Execuções Penais não está sendo cumprida, já que os presos não estão estudando nem trabalhando.
O diretor da PCE, coronel João Krainski afirmou que foi instaurada sindicância para apurar as denúncias. Tenho informações de que o grupo dominante está induzindo os demais a produzirem hematomas para culpar a polícia, na tentativa de derrubar a direção. Os feridos foram atingidos por tiros disparados pelos detentos, na versão dele, mas estão fora de perigo. Eles estão sem estudar e trabalhar porque, como são violentos, os professores não querem arriscar a vida e empresários não querem investir na PCE, justificou.
No domingo, as visitas de familiares, inclusive íntimas, serão restabelecidas. Entrada de cigarros e comida, entretanto, será controlada. A devolução de rádios e tevês dos presos está prevista para quarta-feira. Já o banho-de-sol vai depender do comportamento dos mesmos.


