Uma comitiva de advogados da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina foi à cadeia pública de Sertanópolis, no Norte do Paraná, na tarde de ontem (6), para verificar a situação dos detentos. Na semana passada, a advogada de defesa de dois detentos, Ariadne Paduano, havia protocolado uma denúncia de maus tratos aos presos por políciais civis e militares, após o manifesto por superlotação e comida estragada.

Para a denúncia, a advogada ouviu 26 dos 43 presos em detenção, que reclamaram de atos de torturas, agressão e quebra de aparelhos eletrônicos, como ventiladores e televisão recebidos das famílias.

Segundo a vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Londrina, Caroline Thon, a comitiva ouviu o delegado, funcionários e os detentos. Foi confirmada a quebra dos aparelhos e os detentos apresentavam hematomas pelo corpo.

"Comprovamos que a questão da alimentação foi apenas o estopim, a situação mais grave é a superlotação. O delegado Paulo Gomes nos confirmou que a cadeia tem capacidade para 12 presos e abriga 42 atualmente", contou. "O calor lá foi insuportável para nós, que permanecemos algumas horas, imagina para quem tem que viver nas celas sem espaço", salientou a advogada.

Os presos também denunciaram à comitiva que um dos detentos, que apresentava ferimentos mais graves, foi obrigado a comer alho puro durante a manifestação da semana passada e acabou transferido para a detenção de Bela Vista do Paraíso (Norte).

"Fomos até lá e verificamos a situação do rapaz. Ele nos confirmou o que disseram os ex-companheiros de cela e apresentava muitas escoriações, hematonas profundos e não sabia o motivo de sua transferência", confirmou Carolina.

Em relação à comida, a advogada garantiu que a comitiva estava na delegacia na hora da recepção do jantar, às 17h, e que as marmitas apresentavam boas condições de embalagem e estavam quentes.

"Não pudemos provar porque as refeições são contadas, mas aparentemente não foram constatados problemas", acrescentou a advogada.

Com os resultados e a fotografias recolhidas durante a visita, a Comissão de Direitos Humanos da OAB-Londrina apresentará um relatório ao Ministério Público do Paraná, às corregedorias das Polícias Civil e Militar e à Defensoria Pública do Estado.

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