A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina deverá encaminhar ao governo do Estado, nos próximos dias, um documento pedindo providências para o setor de segurança no município. Paralelamente, a OAB está estudando a possibilidade de ingressar com medida judicial ou política contra o Estado, exigindo investimentos na área.
A informação foi dada ontem à Folha pelo vice-presidente da subseção da OAB, Lauro Zanetti. A decisão, segundo ele, foi tomada em reunião realizada na última terça-feira, duas semanas depois de ocorrido um assalto à mão armada ao advogado Roger Striker Trigueiros, no centro da cidade, e dois dias antes da morte da advogada Alexandra Greice Blanco Disseró, baleada na quinta-feira à noite durante assalto em um bar na área central.
De acordo com Zanetti, Londrina está ‘‘abandonada’’ pelos órgãos de segurança do Estado, que não estão cumprindo as promessas feitas em campanha eleitoral de investimentos no setor. O presidente do Conselho de Segurança de Londrina, Jorge Coimbra, afirma: ‘‘Londrina hoje tem mais segurança particular, contratada por empresas e cidadãos que pagam impostos mas não recebem a contrapartida do Governo, do que policiais militares e civis trabalhando no centro da cidade’’.
Coimbra lembrou que, em visita a Londrina na quarta e quinta-feiras (dia do assassinato de Alexandra), o Secretário de Segurança do Estado, Cândido Martins de Oliveira, não acenou com ações concretas a respeito das reivindicações feitas pela comunidade londrinense, alegando falta de verbas. ‘‘Só que a gente sabe que tem aumentado o recolhimento de impostos no município, e o Estado não está retribuindo com aquilo que nos é de direito. A insegurança é total’’, afirmou o advogado.
A mesma indignação foi demonstrada pela família de Alexandra Disseró ontem pela manhã. Muito abalada, a mãe da advogada, Maria Elisa Blanco Disseró, disse não acreditar que o responsável pela morte de sua filha seja punido. ‘‘A insegurança que vivemos está na impunidade. Se existisse mais rigor no cumprimento das leis, estas pessoas pensariam duas vezes antes de cometerem crimes. Hoje tudo fica impune neste País’’, desabafou.
Até ontem de manhã não havia novidades sobre o caso. Telefonemas anônimos indicaram dois suspeitos, que não foram confirmados pela polícia.Arquivo pessoalMorte no barAlexandra com o filho Vinícius, em foto de maio do ano passadoSilvana Leão

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