No ano passado, uma grande empresa financeira norte-americana pediu a um estagiário relatório sobre a visão que os jovens têm sobre produtos digitais. Mathew Robson, então com 15 anos, fez as seguintes observações: eles não assistem muita televisão, e um dos motivos são os longos intervalos, fazem download de músicas e usam muito as redes sociais. A partir desse relatório, pode-se ter uma ideia do que é a geração a que ele pertence. A ''geração Z'', nascida na década de 1990, já incorporou a tecnologia à sua rotina, procura usufruir das facilidades que ela oferece e são um pouco impacientes (vão logo ao que interessa).
Segundo definição do consultor e administrador de empresas Gilberto Wiesel, o jovem da geração Z é aquele que nasceu no ''boom'' da comunicação, em um momento em que a tecnologia da informação ''nunca esteve tão presente''. Por conseguinte, ela é bastante dinâmica, e não tem muito tempo para ficar em um lugar só.
Tudo isso já começou a ser dito sobre a geração Y (aquela nascida nos anos 1980), mas Wiesel cita uma novidade: a geração Z se preocupa com o bem-estar e em ter uma vida sustentável. Mais crítico, também exige das empresas produtos que tenham uma postura mais politicamente correta. ''Hoje o jovem vai no mercado e lê o rótulo'', afirma.
E mesmo que o jovem comece a ter poder de compra só daqui a dez anos, ele já exerce forte influência sobre o poder de decisão da família. Se o produto não lhe agrada, não só deixa de comprá-lo como também expressa a insatisfação à sua rede de contatos. ''Enquanto antes, todo cliente insatisfeito espalhava para dez, hoje o cliente insatisfeito espalha para um milhão de pessoas, e em questão de segundos. Essa é a geração da conscientização e da comunicação rápida.''
Por isso, as empresas deverão ter respostas rápidas e consistentes para os questionamentos desse novo consumidor. ''O jovem Z não admite respostas vagas às questões que fazem e não têm tempo a perder. No futuro, o empresário será constantemente julgado pelos seus atos.''
Com a palavra...
Muito ligadas à tecnologia, as irmãs Mayara, 17, Carolina, 16, Isadora, 10 e Beatriz, 5, todas da geração Z, fizeram com que a mãe Nara Pedrozo Silva, empresária, criasse seu próprio perfil no Orkut para acompanhar o ritmo das filhas. ''Tecnologicamente falando, elas são muito mais avançadas.''
A arquiteta Ana Rosa Lunardelli, mãe de Pedro, de 12 anos, acrescenta que os jovens da geração Z são mais conscientes e mais preocupados com o meio ambiente e o bem-estar não só deles, mas também das outras pessoas.
Em casa, as quatro filhas de Nara já incorporaram atitudes como reaproveitamento de papel e economia de energia e água ao dia a dia. ''Se alguém começa a demorar mais no banho, uma chama a atenção da outra. Elas têm esse cuidado e chamam a atenção da gente.''
Na sua opinião, além de mais conscientes, eles também são mais questionadores. ''É tanta informação que eles passam a ter uma reflexão maior.''

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