O voluntariado ultrapassando fronteiras
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quinta-feira, 06 de outubro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
''Foi o interesse por conhecer uma outra cultura, desenvolver meu potencial humano e ajudar pessoas carentes de educação e carinho que me trouxe ao Brasil''. A revelação é do intercambista colombiano Douglas Alvarez Veléz, 20 anos, quando questionado sobre o motivo que o levou a realizar um trabalho voluntário no Brasil. O jovem desembarcou em Londrina no dia 5 de agosto para atuar no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilict) e deve ficar na cidade até o final desta semana. Depois, Veléz parte para o Rio de Janeiro, onde ficará por quatro meses em uma comunidade carente.
O colombiano dá apoio nas aulas de informática, braille, soroban (instrumento de cálculo) e goalball (esporte parecido com futebol). Simpático e muito comunicativo, ele conta que é natural de Medellín e revela que o interesse pelo voluntariado começou ainda durante o início do curso de Engenharia Mecânica na Universidade Nacional da Colômbia, em 2007. ''Tudo começou com os projetos de empreendedorismo que eu aplicava em escolas públicas, com adolescentes de 15 a 17 anos. A grande maioria da população colombiana não tem oportunidade de acesso a uma educação de qualidade e eu via nessas atividades voluntárias uma oportunidade de aumentar o interesse desses jovens pelos estudos e poder retribuir tudo o que eu tive durante minha infância e adolescência'', conta.
No ano passado surgiu a oportunidade de Veléz vir ao Brasil pela Organização Internacional para Intercâmbio de Jovens Universitários (Aisec). ''Acabei escolhendo o Brasil porque sabia que existiam muitos jovens carentes de atenção e educação no País. Além disso, eu considerei também o fato do português ser uma língua mais parecida com a minha'', explica. ''Sem deixar de mencionar que eu já admirava a cultura brasileira, a comida e o povo, que é muito familiar e receptivo.''
O intercambista revela que apesar de ter o objetivo de doar um pouco de si, ele tem aprendido e recebido mais lições de vida do que esperava. Todos os dias, das 9 horas às 15h30, Veléz realiza atividades de apoio pedagógico e exercícios físicos destinados aos alunos atendidos pelo Ilict.
Ele diz estar impressionado com o interesse dos alunos em aprender o conteúdo e em conhecer um pouco da cultura colombiana. ''Logo que cheguei ministrei uma palestra falando sobre minha terra, cultura e costumes. Os alunos demonstraram muito interesse em saber mais. Fiquei contente por poder compartilhar um pouco da minha vida com eles'', diz. ''No final das contas você percebe que não existe nenhuma grande diferença entre alunos com ou sem deficiência visual. Acho que só por isso já valeu e muito o intercâmbio.''
O intercambista demonstra satisfação por já ter aprendido tanto da língua em tão pouco tempo. ''Acho que já estou conseguindo me comunicar bem e isso se deve, sobretudo, a ao desejo de sempre ajudar do brasileiro. Já me sinto como parte de uma família aqui, o povo é muito receptivo'', elogia.


