Pedir esmola é sempre uma aventura para o menino de rua, mendigo e para a mãe com o filho no colo. Algumas vezes o ritual é ingrato, outras não. Ao pedir dinheiro nos semáforos, essas pessoas estão sujeitas a receber, no máximo, uma nota velha. Porém, é comum ganharem, com mais frequência, uma lição de algum moralista que prefere descontar no pedinte seu descontentamento diante da eterna crise do Brasil.
Em Foz do Iguaçu, essa cena é comum nas ruas do centro e na região da Ponte da Amizade, ligação do Brasil com o Paraguai, onde diariamente centenas de adultos e crianças se submetem ao julgamento público, ao utilizarem o verbo para conseguir a verba. Alguns até exageram ao dramatizar sua história. Mas eles estão ali... expostos para receber a sentença da população.

Muita gente acredita que pessoas, nessas condições, merecem um voto de confiança por aceitarem o julgamento popular. Elas têm, no mínimo, coragem para enfrentar a vergonha na tentativa de enganar a fome.

O iguaçuense, entretanto, sempre tomou o cuidado de olhar fundo nos olhos do pedinte antes de comprar um pão ou abastecer suas esperanças com alguns trocados. Ele sabe, contudo, que as cidades abrigam senhores espertos que deixam o terno e a gravata em casa antes de sair em busca de ajuda do povo. Sempre num ato obscuro, esses oportunistas avaliam quantas pessoas estão à sua direita, quantas estão à sua esquerda. Em seguida, assaltam quem estiver com a ''grana'', sem mesmo usar o verbo. Usam apenas a mão.

Apesar dessa manobra ser condenada pela população, eles confiam na memória fraca do povo, preferindo a verba e esquecendo a ''ética popular'', numa atitude parecida com as articulações feitas por alguns deputados estaduais do Paraná que aprovaram a venda da Copel. Para o cidadão consciente, esse gueto poderia ser esquecido e atropelado pelo bonde da história. Seriam menos 27.

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