Máquinas de beneficiamento de arroz são cada vez mais raras nos grandes centros e mesmo em pequenas cidades. O arroz de máquina foi substituído pela praticidade do arroz embalado vendido nos supermercados. O preço, a comodidade e alguns diferenciais oferecidos pelos fabricantes (como o arroz polido que não precisa ser lavado) são alguns fatores que levaram à substituição gradativa de um hábito bastante comum há algumas décadas.
Pelo método antigo, o arroz é colocado com casca na máquina de beneficiamento. Lá, ele é descascado, limpo, selecionado e separado. Tudo é aproveitado: a casca vai para granjas, o farelo (onde fica a grande maioria dos nutrientes do arroz) se torna componente de ração animal e pode ser usado como complemento alimentar, e a quirela e o arroz quebrado podem ser utilizados tanto na alimentação humana quanto para animais.
Porém, algumas poucas empresas ainda conseguem resistir ao tempo e às mudanças. É o caso da Máquina de Arroz Londrina, localizada bem no centro da cidade, que ostenta uma placa dizendo que faz o beneficiamento de arroz desde 1938. A empresa foi assumida pela família Sales há 30 anos, e mantém outra característica que vem se perdendo com o tempo: a administração em família. Antônio Carlos trabalha na empresa adquirida pelo pai faz 15 anos, e diz que pretende continuar o negócio. ''O nosso público é bem variado. A gente atinge quem quer um produto de melhor qualidade. Por isso, acho que sempre vai ter uma parcela do mercado pra gente atingir'', afirma, complementando que a grande vantagem do arroz de máquina é que qualquer pessoa consegue deixá-lo soltinho ao cozinhar. Segundo ele, faz tempo que as pessoas se perguntam por quanto tempo as máquinas de arroz ainda vão resistir. ''Essa pergunta surgiu devido à praticidade dos supermercados. Mas, por enquanto, graças a Deus, estamos indo bem.''
Para conseguir permanecer no mercado, eles contam com um aliado importante: os clientes fiéis, que não abrem mão de comer o seu arroz de máquina diariamente. ''Tem gente que compra 40 quilos por mês'', conta Reinaldo do Nascimento Silva, funcionário do local há 16 anos. Segundo o funcionário, a empresa vende arroz também para vários restaurantes da cidade. ''Temos clientes que compram aqui há mais de 40 anos.
Quem ainda faz questão de comprar arroz de máquina garante que a técnica o torna superior aos industrializados. Muitas empresas utilizam arroz velho, com pelo menos dois ou três anos, para fazer o beneficiamento. ''O arroz velho fica mais soltinho e rende muito mais. Além disso, não tem conservantes e é beneficiado todos os dias. Então o sabor é completamente diferente'', explica Silva.
O arroz de máquina tem conquistado também novos paladares, como no caso da família de Carlos Alberto Gamelo, 48 anos. Há três anos, Gamelo começou a comprar o arroz a granel beneficiado, e não se arrepende. ''Até então, eu comprava no supermercado mesmo. Mas eu acho o de máquina mais gostoso. Não dá para explicar por quê, mas eu prefiro'', conta, afirmando que não há diferença nenhuma na hora de cozinhar. ''É a mesma coisa que o outro, o preço também é o mesmo. A única diferença é que um é empacotado, outro não. E o arroz de máquina é bem mais soltinho'', compara.
Já Armando Albertoni assume que, exceto quando se trata de arroz velho, o arroz de máquina comum não é diferente do industrializado. Albertoni fundou a Máquina de Arroz Yara em 1968. Na época, chegava a trabalhar 12 horas por dia. ''Hoje, eu trabalho esse tanto por semana'', lamenta. Com a redução, a empresa, que já contou com oito funcionários registrados e mais alguns temporários, agora tem apenas três.
Ele observa que diminuiu também o número de produtores rurais de arroz na região. ''Hoje a produção é mais no Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Mas eu compro de produtores daqui da região mesmo'', informa. A empresa de Albertoni já chegou a embalar e comercializar o arroz em supermercados, mas hoje vende apenas na sede da empresa. A idéia de empacotar surgiu para tentar acompanhar o mercado, enfrentando a concorrência. Mas, com cada vez menos espaço, ele não vê muito futuro para as máquinas de arroz. ''Estamos instalados aqui, então vamos levando enquanto dá. Mas acho que nenhum filho meu vai querer assumir a empresa. Cada um já tem sua profissão''.

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