O VELHO COM CARA DE NOVO
Walter Ogama
A emoção acabou. Não se trafega mais pela BR-369 e pela PR-323, nos trechos que fazem parte do lote 1 do Anel de Integração do Paraná, como se estivesse em uma pista de cross. Os buracos no asfalto, que exigiam desvios malucos, foram eliminados.
Também ficaram no passado as ondulações acentuadas no pavimento. Elas provocavam nos motoristas e passageiros a sensação de uma descida no tobogã ou uma aventura na montanha russa. Agora, restam trepidações leves e suaves.
Nem chegam a fazer do carro uma bateria de escola de samba desafinada. A caneta jogada sobre o painel não faz barulho. A moeda não dança de um lado a outro. As placas mal fixadas do carro não imitam o reco-reco. E o menino, no banco de trás, não tem mais solavanco para tentar encostar a cabeça no teto do veículo.
Viajar pelos dois trechos ficou monótono, permite um cochilo durante o percurso. Bem que o governo prometia segurança e tranquilidade. A empresa responsável por melhorias e manutenção nas duas rodovias, que foram privatizadas, endossavam: segurança, tranquilidade, e boa viagem!
A verdade é que uma promessa de governo começou a virar realidade, pelo menos quando a análise se restringe às condições do asfalto que a empresa concessionária do lote 1 do anel viário paranaense está entregando hoje, quando começa a cobrança de tarifa em três praças de pedágio localizados nos dois trechos.
Dirigindo de ponta a ponta, o motorista estranha a falta das enormes crateras que pareciam querer engolir o carro. Se o pavimento não parece um tapete, pois apenas passou por processo de recuperação, também está longe de ser o tormentoso caminho que antes levava para algum lugar. Agora, solavancos só com o valor do pedágio, de R$ 2,80 para carros de passeio, caminhonete e furgão; R$ 5,60 para caminhão leve, ônibus, caminhão trator; até o R$ 16,80 cobrados de um caminhão com reboque e caminhão trator com semi-reboque.
Mas há ressalvas, quando se olha para os lados. O ponto de partida é o Porto Charles Nauffal, na divisa com o Estado de São Paulo pela PR-323. O carro é de versão popular, um Gol 1000 com poucos quilômetros rodados. Bastam alguns minutos rodados já dentro do Estado do Paraná para aparecer a primeira praça de pedágio, já no município de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio) aparecer imponente diante do motorista que entrou no Paraná.
Instalada no km 3,6 da rodovia, o posto de cobrança assusta pela impressão de modernidade que causa: a pista única se abre em duas e engorda; a pintura da sinalização no asfalto é branca, ainda nova; a pavimentação da pista e do acostamento parece recém-construída. Superpostes sustentam luminárias potentes, canaletas feitas nos pontos onde a geografia do terreno exige este tipo de obra também têm cheiro de novo.
Ultrapassado a praça de pedágio, o deslumbramento continua até Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). O trecho oferece ao viajante cenas agradáveis: o verde do milho safrinha nas fazendas que margeiam a rodovia, o cinza escuro da pista e do acostamento, o branco e o amarelo da pintura da sinalização e as placas visíveis. Em alguns pontos, operários da concessionária trabalham na capina ou na retirada de entulhos.
Em sentido contrário, um comboio de 10 caminhões viajam com destino a São Paulo. Se a cobrança já tivesse sido iniciada, renderia só naquele instante R$ 84,00 de pedágio, considerando a média de três eixos em cada veículo, apesar de alguns terem mais.
No perímetro urbano de Sertanópolis as cores mudam, o filme parece outro. O branco ficou encardido, o amarelo perdeu o brilho, o cinza quase é marrom. Mas a pista mantém boas condições de tráfego. Dali em diante, até o final do trecho privatizado, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), nem tudo o que o viajante enxerga agrada.
O acostamento apresenta pequenas falhas em alguns pontos. Em outros, a canaleta seria útil, mas inexiste. Pequenas elevações de terra desmoronam e invadem a faixa de encosto. Mas o socorro funciona: uma equipe da concessionária, usando um guincho, presta atendimento a um caminhoneiro.
No trecho de 62 quilômetros e no complemento de 13,9 quilômetros da PR-445, a concessionária Econorte (Empresa Concessionária de Rodovias do Norte S.A.) instalou um Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) com ambulância resgate e outro com guincho mecânico. No complemento, já na PR-445, em Londrina, está instalado um SAU com guincho mecânico.

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