Símbolo de status ou marca do ritual de passagem do estudante para o chefe de família? Compromisso com a sociedade ou pura ostentação? ''É possível refletir sobre os anéis de formatura'', responde Marco Antonio Soares, professor e coordenador do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em história das religiões. Os anéis de formatura, com origem eclesiástica, foram muito usados até o último milênio. Hoje são mais raros, mas ainda assim é possível encontrar quem goste dessa tradição.
Em uma rápida busca pela internet, a reportagem encontrou a comunidade ''Eu uso anel de formatura!'', que conquistou 752 membros. Ali, pessoas de diferentes profissões e idades debatem virtualmente o significado do anel de formatura, quais os modelos mais bonitos e em que dedo é correto usá-lo.
O advogado Alvino Aparecido Filho, formado em 1982 pela UEL, usa o anel de rubi em ocasiões especiais. Para ele, o anel tem um sentido afetivo. ''Era comum usar anéis de formatura, então minha mãe me presenteou. Aquele momento foi de grande emoção na minha família'', recordou-se o filho de um serventuário da justiça, para quem o anel foi a concretização da responsabilidade que passaria a ter com a conquista da colação de grau.
O advogado comenta que vem de uma família ligada ao Poder Judiciário. ''Comecei a trabalhar no cartório com meu pai aos oito aos de idade e além do meu filho, que está no quarto ano de Direito, tenho dois sobrinhos, uma prima, muitos na família seguem a profissão'', comentou.
Ele também pretende presentear o filho, Alvino Aparecido Neto, com um anel de rubi para transmitir a idéia da responsabilidade no exercício da profissão. ''Eu não acho que o anel tem uma conotação elitista, desde que a pessoa saiba porque está usando o anel'', acredita. ''Para mim, o anel simboliza o compromisso social do advogado no exercício de sua atividade profissional.''
Na opinião de Aparecido Filho, há uma diminuição desse compromisso do advogado, ''algo que tem que ser resgatado com exemplos que ajudaram a escrever a história da República, como Rui Barbosa e Clóvis Breviláqua''. O professor Soares analisou a existência de pessoas que querem o retorno da simbologia dos anéis. ''Mas, não tem como recuperar, a história não tem volta'', sentenciou. ''Quando se observa o uso do anel, o valor é sentimental'', resumiu.
O advogado André de Massi, formado pela UEL em 1998, usa seu anel todos os dias. ''É meu objeto de estimação, só tiro do dedo para tomar banho ou praticar esportes. Virou parte do meu vestuário diário'', contou.
''Ele desperta a curiosidade das pessoas, muitas elogiam'', garantiu o advogado. ''Eu ganhei da minha madrinha no dia da minha formatura, foi confeccionado especialmente para mim'', orgulha-se. Para ele, o anel agrega um sentimento de sucesso e sorte na profissão.

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