'O uso da violência não se justifica'
''Eu acredito que a Lei da Palmada seja o começo de uma mudança cultural no Brasil. Talvez esse seja o primeiro passo para o início de uma cultura menos violenta''. A frase é da psicóloga Paula Cordeiro, favorável à aprovação da lei e contrária ao uso da palmada na educação das crianças. De acordo com ela o Brasil está atrasado no quesito da proteção da criança no seio familiar.
''A gente sabe que antigamente os castigos eram mais severos e a coisa foi evoluindo até a criação de um estatuto que protege as crianças até mesmo dos abusos dos pais'', afirma. Segundo a psicóloga, uma das discussões que são colocadas em pauta quando se discute a não aprovação da lei é a respeito da agressividade de cada pai. ''Talvez o que uma pessoa considere 'bater com moderação' a outra considere exagero. É uma questão muito relativa e difícil de medir'', destaca.
Para Paula, a palmada não é necessária. ''Existem tantos outros recursos para ensinar e educar uma criança que o uso da violência não se justifica'', defende. Ela explica que quando o pai bate no filho, está ensinando que os conflitos se resolvem com violência e isso acaba refletindo na vida e no desenvolvimento da criança. ''O que trabalhamos na análise do comportamento é o reforço positivo. Valorizamos o que a criança faz de certo, explicamos porque ela não pode fazer as coisas erradas e damos outra opção de atividade para que ela substitua o comportamento inadequado por uma ação positiva.''
Os pais devem ensinar para as crianças qual é o comportamento desejado, educar verbalmente e mostrar o que ela está fazendo de errado. ''A educação exige limites, mas não é preciso ensinar para a criança que respeito está associado a medo e violência'', lembra. ''Não podemos esquecer que quem está do outro lado é uma criança, muito menor que o adulto em questão'', completa.
''Bater resolve para quem?'', questiona Paula. Ela lembra que com a agressão provavelmente a criança vai parar de fazer o que estava fazendo, mas não vai endender porque estava errada. ''É preciso analisar a situação, muitas vezes a criança teima por querer atenção dos pais. A retirada de alguma coisa ou de alguma atividade que a criança goste é uma alternativa que pode ser usada no lugar da palmada'', sugere.
A psicóloga defende que nenhum tipo de palmada seja utilizada. ''A gente é produto da nossa história. Os momentos que a criança vive contribuem para o adulto que ela vai se tornar no futuro. Bater no filho é construir uma história de violência''. (M.A.)





