O universo da Rua Londrina
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quarta-feira, 08 de outubro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - O município de Londrina tem várias vias com nomes de cidades paranaenses, mas a única via que recebe o seu nome por aqui fica no Distrito rural de Warta, a 32 km do centro. A Rua Londrina tem muito a ver com a história da cidade. A Companhia de Terras Norte do Paraná ofereceu os lotes na área que seria denominada Warta para imigrantes poloneses que estavam em Santa Catarina. Em 1932, Eduardo Cebulski adquiriu o primeiro deles e assim que constatou que o solo era bom, trouxe sua família. A notícia da fertilidade do solo logo se espalhou e em 1940 a área já reunia 30 famílias, mas a data da criação do distrito só aconteceu no dia 14 de dezembro de 1953.
A via que homenageia a cidade, que em 2014 completa 80 anos, começa na entrada do distrito, onde ainda hoje existem plantações de café, cultura responsável pelo desenvolvimento de toda a região. Ao longo de 1,15 km de extensão, a via concentra os principais estabelecimentos comerciais e de serviços da região. Foi nesse eixo que se instalaram a Paróquia Santo Antônio, a Igreja Assembleia de Deus, a Congregação Cristã do Brasil, a Igreja Deus é Amor e a Igreja das Nações. A via também reúne a coordenadoria distrital, os Correios, a Unidade Básica de Saúde, o posto da Sercomtel, a Subestação da Copel e uma caixa dágua da Sanepar.
Um dos estabelecimentos da via é uma tradicional empresa de compra e venda de café, a Odebrecht, onde trabalha Manuel Garcia Duarte, de 71 anos, encarregado de serviços gerais na empresa. Ele se recorda do auge da cultura cafeeira, quando passava noites inteiras trabalhando para dar conta de carregar tantas sacas de café. "Era a rua inteira cheia de carroças e animais. Eu queria que vocês estivessem aqui na época para ver a quantidade", salientou o funcionário.
Atualmente, dos 1.555 habitantes do distrito, segundo o Censo do IBGE 2010, 967 residem no trecho urbano. E boa parte mora no entorno da Rua Londrina.
TROPEIROS
O lavrador Eduardo Jochino, de 75 anos, chegou ao distrito em 1948, antes mesmo do decreto que criou Warta, período em que ainda havia muita mata fechada. Ele se recorda da quando ainda não havia quase nada, apenas poucas casas de madeira. Na época ele ainda era uma criança, mas já ajudava seu pai na lavoura, carpindo o terreno. E se recorda dos tropeiros que vinham de São Paulo e que acabavam fazendo negócios com os moradores da região comercializando gado. "Naquela época tinha um açougueiro, que cortava a carne com um machado", relembrou.
O açougueiro mencionado por Jochino era pai de Sebastião Avelino de Souza, de 75 anos. Souza herdou a profissão e ainda hoje trabalha manipulando carnes. "Matávamos um boi para cada cinco pessoas e não precisávamos cortar a carne em bifes. Tínhamos que matar o boi na sexta-feira, para comercializar a carne no sábado, pois não havia energia elétrica para conservar a carne. O que sobrava tínhamos que salgar para fazer carne seca", explicou. Além dos heróis anônimos que ajudaram a construir a história do distrito, ele relembrou que a via já recebeu artistas de renome. "Me recordo que em 1959 um circo veio para cá e uma das atrações era a dupla Tonico e Tinoco", contou. Questionado sobre qual período da vida ele gostou mais, ele não hesitou. "Prefiro agora. Naquela época sofríamos muito".


