Observar o céu é desvendar mistérios. Foi o que descobriram os 32 alunos da terceira série da Escola Municipal Cecília Hermínia Oliveira Gonçalves, que foram ao Planetário de Londrina ontem de manhã para uma atividade bastante especial: observar o eclipse solar. ''Nós tínhamos uma visita ao planetário marcada para hoje, e coincidiu de haver o eclipse'', explicou a professora Rosa Maria Macarini Cruz. A sorte dos alunos, então, foi dupla, já que o eclipse foi mais visível ao Sul, e imperceptível em boa parte do Nordeste brasileiro.
O eclipse parcial do sol começou por volta das 7h30, atingiu seu ápice às 8h30, quando a lua encobriu 20% do sol, e durou ao todo duas horas. O fenômeno não chegou a afetar a luminosidade da manhã. Depois de receber uma explicação teórica, os alunos puderam observar o eclipse com o auxílio de um vidro de soldador número 14 e de telescópios, e depois fizeram desenhos mostrando o que viram.
''Os alunos ficam entusiasmados, principalmente por estarem vendo junto com o pessoal da universidade. É um estímulo para que estudem mais'', comentou a professora Rosa Maria Macarini Cruz. ''Dessa maneira, incentivamos a curiosidade deles, utilizando o universo como laboratório de ensino'', complementou a diretora do planetário, Rute Helena Trevisan.
Fruto da mecânica celeste newtoniana, o eclipse é um fenômeno aplicável a todo o sistema solar, e, apesar de se tratar de um conhecimento bastante avançado, é capaz de ensinar conceitos bastante simples às crianças. ''Ao observar o sol, a criança vê uma circunferência perfeita, e isso é matemática. As crianças menores ainda podem associá-la a outras formas no cotidiano. O aluno entra em contato com alguns instrumentos que têm lentes e espelhos, que são objetos que eles conhecem'', explicou o diretor do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gilberto Carlos Sanzono.
A atividade também é uma oportunidade de instruir as crianças sobre os cuidados necessários para se observar o sol sem causar lesões graves à visão. ''A atividade também é uma oportunidade para professores que não têm conhecimento ou que têm alguns conceitos equivocados'', lembrou Sanzono, citando como exemplo de equívocos a falsa idéia de que um filme fotográfico comum ou uma radiografia podem ser utilizados como proteção para os olhos. Segundo o diretor, Londrina já registrou um dos casos mais sérios de cegueira resultante da observação de eclipses.
O último eclipse total do sol visível no Brasil aconteceu em 1994, ano em que esses alunos não tinham nem nascido. Já o último eclipse observado em Londrina foi em setembro de 2006. Apesar disso, todas as crianças consultadas pela reportagem admitiram que nunca haviam visto um eclipse antes. ''É bonito. Mas tem que usar o vidrinho senão, pode ficar cego'', ensinou Raine Alves Félix Nogueira das Dores, 9 anos, contando que adora observar as estrelas.
Já Marcela Bianca Souza, 8 anos, disse que ficou com vontade de aprender mais coisas sobre a lua. ''Já tinha aprendido sobre eclipse na escola, mas olhar aqui é bem mais legal, porque dá para ver melhor'', comentou.
''Aqui é mais gostoso porque não precisa ficar escrevendo. E a gente faz desenho'', opinou Francis Rodrigues Ferreira, 9 anos, adiantando que vai querer observar novamente. ''Quando tiver outro eclipse, vou pedir para o meu pai comprar o vidrinho, para não ficar cego'', ressaltou.

mockup