O trem no meio do caminho
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Várias cidades se originaram a partir das linhas férreas. Mas o que um dia foi modernidade hoje representa problema em vários locais. Com o crescimento dos municípios, as linhas foram englobadas e representam transtorno quando interrompem o tráfego e oferecem perigo aos pedestres e motoristas que precisam atravessá-las.
No último final de semana, um acidente envolvendo um trem e um caminhão em Rolândia (Norte) trouxe à tona a discussão sobre o que fazer com essas linhas. Muitas vezes a própria população se coloca em risco, não obedecendo a sinalização e não usando as trincheiras de transposição das linhas férreas.
Em Cambé (Norte), depois de anos de solicitação, em junho deste ano foi finalizada a construção de uma dessas trincheiras. Mesmo assim, os moradores insistiam em cruzar em local proibido. A solução foi a instalação de um alambrado impedindo a passagem.
O eletricista Edivaldo Carneiro e o aposentado Inésio Cruciani moram próximo à trincheira e testemunharam várias pessoas correndo risco ao atravessar a linha. ''A travessia antes era perigosa e como as nossas pernas já não ajudam, é melhor andar um pouco mais e passar em segurança, com calma, do que correr riscos'', conta Carneiro.
Edna Manfre de Brito e o neto Cauã, de 4 anos, não são vizinhos da linha do trem mas mesmo assim passam com frequência pelo local. Ela lembra da agonia que sentia quando precisava atravessar com o menino no carrinho de bebê. ''Tinha medo de ficar enroscado (carrinho), o segurança aqui que me ajudava. Agora a gente anda um pouco mais, mas não tem corre riscos'', afirma. O pequeno mostra que já aprendeu a lição também. ''A gente anda mais, assim faz ginástica e fica forte'', fala sorrindo.
Barulho e poeira
Em Londrina, os moradores vizinhos da linha férrea que passa pelo Jardim Santo André (Zona Oeste) reclamam do barulho e da poeira que o trem faz. O comerciante Juan Nagib da Silva mudou-se para o bairro há um ano e já está procurando outra casa para alugar. ''Não me atentei para isso quando vim para cá. Minha esposa fica enlouquecida com a sujeira que entra em casa por causa desses trens. Fora isso eles passam e buzinam a qualquer hora do dia ou da noite'', relata.
O comerciante conta também que bem na frente da casa dele é o local onde o trem engata ou desengata vagões e muitas vezes a passagem fica interrompida muito tempo para os veículos, gerando confusão. ''Semana passada ele (trem) ficou parado aqui meia hora, justo às 6 da tarde. Juntou um monte de carro, eles começaram a buzinar, eu não consegui entrar na minha garagem'', reclama.
Do outro lado da linha moram as amigas Salomé de Souza e Marta Cardoso de Souza. Vizinhas há mais de uma década, já presenciaram vários acidentes e quase tragédias no local. ''Uma vez uma mulher passava com uma criança pequena e com um bebê no carrinho quando a roda prendeu nos trilhos, foi um sufoco, meu genro teve que ir ajudar a mulher'', conta Marta.
''Já vi gente empurrando o carro que morreu em cima dos trilhos e também criança sozinha que vem ver o trem passar e pode acabar se machucando'', destaca Salomé. Elas concordam que uma trincheira no local ajudaria muito, ou o desvio do linha para outro local.


