O trecho despencava e promotor foi removido
Promotor na Comarca de Ibaiti em 1975, Sérvio Borges da Silva remeteu ao ministro da Justiça, Armando Falcão, o ofício n.º 12/75 e fotografias fazendo supor malversação de dinheiro público em 28 quilômetros de um total de 54 (Ibaiti-Ventania) da BR-153. O trecho fora deslocado do espigão, onde poderia ser aproveitada a estrada de leito natural com retas de até 10 quilômetros, e passara a ter muitas curvas, exigindo ''o fantástico corte de uma pedreira variando entre 12 e 30 metros de altura''. As obras neste trecho, incluindo asfalto, estavam ruindo, abandonadas.
Soube-se que seriam necessárias sete pontes, quando ''o custo de três dessas verdadeiras obras de arte pagaria a construção da estrada inteira pelo espigão''.
Em uma das edições do ano de 1971, a revista NP (Novo Paraná, n.º 13/1) denunciava o descalabro, sob o título ''A estrada que Deus esqueceu'', mencionando custos de 60 milhões de cruzeiros sem que estivessem prontas as obras de arte. Naqueles anos de ditadura militar, estavam em pauta grandes obras e Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) incluiu o Paraná no ''Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá) n.º 2''.
Em 1975, o deputado Osvaldo Macedo denunciou na Assembléia Legislativa que o corregedor-geral do Ministério Público, Antero da Silveira, se deslocou de Curitiba a Ibaiti ''para pressionar e intimidar Sérvio Borges'', a fim de forçá-lo a pedir transferência para Xambrê, sob pena de removê-lo compulsoriamente. ''É que todos sabem da existência de uma estrada-fantasma em Ibaiti, que consumiu muito dinheiro público e foi abandonada'', disse Macedo. E Sérvio foi mesmo removido para Xambrê. No inquérito, mais tarde arquivado, passou a constar que a mudança de traçado fora recomendado por um estudo contratado pela administração do então governador do Paraná, Paulo Pimentel, que pretendia submetê-lo ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). O trecho Ibaiti-Ventania, hoje com 46,1 quilômetros, voltou ao espigão.(WS)





