Paulo Vítor, hoje com 11 anos, sempre foi um garoto tranquilo e educado. Mas, segundo sua mãe, ficava nervoso quando perdia algum jogo ou competição. ''Reparei que algo estava errado. Foi quando na escola, na mesma época, me chamaram para dizer que ele estava com dificuldade de aprendizado e ficava muito quieto'', diz Denise Reis Guilherme, que também tem uma filha de sete anos, Sophia.
Esse foi o start para Denise perceber que o filho precisava de ajuda. ''Terapia é essencial para todos, para que chegue na fase adulta e seja uma pessoa centrada. Não tenho essa visão de que devemos procurar apenas quando o problema já está instalado. O trabalho que estou fazendo é de prevenção. Quero que ele seja um adolescente, um adulto saudável. Mas sei que sou uma exceção; muitos pais não querem aceitar que seu filho está apresentando alteração de comportamento.''
O garoto faz sessões semanais há dois anos e a mãe se diz mais confiante para lidar com as atitudes dele. ''Agora que estou aposentada, eu vivo para meus filhos. Por isso, tenho o máximo cuidado de não protegê-los demais. Acredito que isso seja necessário, pois ele será um adulto que vai passar por perdas. Dói o coração, mas sei que ele precisa passar pelas frustrações.''
Para ajudar no tratamento, Denise e o marido Paulo Roberto colocaram o menino para praticar um esporte coletivo, o futebol. ''Ele precisava viver experiências em grupo, os ganhos e as perdas. No início, ele chorava muito caso o time perdesse e dizia que não iria voltar mais. Com o tempo, isso passou a ser um processo natural. Percebo que ele amadureceu bastante e aceita críticas com mais facilidade'', comenta.
Outro fator importante, para ela, é o elogio. ''É importante que as crianças saibam quando fizeram algo certo. Quando tenho que elogiar, falo na frente dele. O resultado de tudo isso tem ajudado que ele cumpra as regras, seja mais participativo e responsável.''(M.T.)

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