O trabalho nos abre caminhos na sociedade, diz deficiente
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Paulo WolfgangAna Lúcia Muller: satisfaçãoOsmani Costa 
Quando Maurício Pereira Leite tinha apenas cinco meses de idade, foi parar num hospital com sarampo. O médico descobriu, então, que ele possuía também uma paralisia cerebral congênita, que afetava suas pernas e o impediria de andar. Hoje, com 22 anos, ele trabalha na fábrica de refrescos Saci, onde durante os dias inteiros cola etiquetas da empresa nas embalagens plásticas.
Estou muito contente aqui, porque sou muito bem tratado pelos patrões e pelos meus colegas. Tenho dificuldades, mas procuro passar por cima delas. O trabalho abre o caminho da reintegração na sociedade para nós, portadores de deficiências, afirma Maurício Leite. Porque ainda existe muito preconceito e pouco reconhecimento da população sobre a nossa utilidade. Mas não somos inválidos e podemos dar muito pela comunidade.
Ele só conseguiu andar aos quatro anos de idade, depois de seis cirurgias nas duas pernas. A paralisia me deixou pequenos problemas de coordenação motora, minhas mãos tremem muito, e não consigo ficar parado sem um ponto de apoio. Mas dá para desempenhar minhas funções no trabalho com tranquilidade, comenta Maurício Leite, lembrando que a doença também deixou sequelas na sua capacidade visual, obrigando-o a usar óculos.
Paulo WolfgangMaurício: Tenho dificuldades, mas procuro passar por cima delasAtualmente ele não precisa tomar nenhum remédio e vai sozinho de sua casa, na zona leste, ao local de trabalho, na zona norte da Cidade. São quatro ônibus diários para ir e voltar, de segunda a sábado. Maurício Leite conta que foi encaminhado há quatro anos ao emprego - onde recebe meio salário mínimo, 13º, férias e demais direitos trabalhistas - pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), na qual teve assistência desde criança.
Apesar das dificuldades, fui me adaptando ao trabalho e hoje estou muito contente aqui. Tentei, mas não deu para aprender a ler e escrever. Felizmente, encontrei este emprego, porque meu pai morreu e precisei ajudar a minha mãe a criar outros irmãos menores, diz Maurício Leite. Ele é filho da dona de casa Sueli Maria Jesus Leite, que tem outros dez filhos.
Ana Lúcia Borsato Muller, uma das proprietárias da fábrica de refrescos, explica que a leve deficiência mental e os problemas físicos não impedem Maurício no desempenho de suas funções diárias. Dentro de suas limitações, ele está se saindo muito bem. Inclusive, foi melhorando sua destreza e rapidez ao longo destes quatro anos e meio de trabalho.
De acordo com a empresária, Maurício é muito responsável e assíduo no trabalho. Ele quase nunca falta, a não ser por motivo muito forte. É responsável, pontual e dedicado. Serve como exemplo para os outros 18 funcionários da empresa, que também gostam muito dele. A nossa experiência com ele tem sido muito válida. Outras empresas deveriam tomar este tipo de iniciativa, para facilitar a reintegração dos portadores de deficiências à sociedade. Só assim, eles podem ser e se sentirem úteis, ressalta Ana Lúcia Muller.


