Foi-se a época em que a mãe atarefada enviava o filho à quitandinha do bairro, levando no bolso uma lista rascunhada às pressas. Os pedidos de sempre – frutas, verduras e a tradicional dúzia de ovos – eram pesados na balança de ponteiro e colocados em ‘‘redinhas’’ amarelas ou enrolados em jornal (nada de sacos plásticos). As despesas eram marcadas em caderneta e o acerto poderia ser feito em qualquer dia do mês. Mas a tradição era clara: quitar a conta de vez, nunca! Nas manhãs de sábado e domingo, a correria era grande mas o ‘tio’ experiente atendia todo mundo. Já no meio da semana, a calmaria imperava, tal qual a cena registrada no bairro Santa Terezinha, em Londrina. Os tempos mudaram, a quitandinha perdeu espaço para os ‘‘sacolões’’ de supermercado, os ponteiros foram substituídos pelos marcadores digitais e a fachada perdeu as tábuas descascadas. Aos sobreviventes descompromissados com o relógio (seja analógico ou digital), resta agora mais tempo para ler o jornal (que amanhã não será usado para embrulhar as compras). Mas se ainda precisar de alguma coisinha para improvisar a ‘‘mistura’’ do almoço, vá até a esquina. Não tem ‘‘pepino’’ que o tio da quitanda não resolva! É ‘‘batata’’! (Emerson Dias)

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