''O Tibagi é extremamente produtivo''
Localizados pela FOLHA, os proprietários da Tibagiana não se recusaram a responder a nenhuma questão, no entanto pediram a não divulgação de seus nomes. O motivo alegado é a segurança. ''Sabe como é, o nome de pessoa física faz 'crescer o olho' de muita gente'', comentou um dos proprietários.
''O alvará de pesquisa, que tem validade de três anos, autoriza o requerente a fazer somente os estudos preliminares de campo e laboratório para verificar a existência da jazida, seu volume, qualidade do minério, viabilidade econômica. Ele não autoriza a extração, que é a lavra. Somente em caso de comprovação da existência de uma jazida economicamente viável, e cumprida a legislação pertinente, é que será emitida a concessão de lavra, que autoriza a extração'', explica Renata Moro, geóloga, especialista em recursos minerais do DNPM.
Porém, os proprietários da Tibagiana dizem que já concluíram a fase de pesquisa e lamentam a demora do DNPM para a concessão de lavra ou da guia de utilização, o que, segundo a direção da empresa, atrasa os trabalhos e o desenvolvimento da região.
''As nossas empresas têm áreas com relatório final de pesquisa positivo apresentado ao DNPM, alguns há mais de quatro anos, mas uma desorganização ou corrupção interna do órgão federal não permitiu o avanço na fiscalização e aprovação desses relatórios, o que, inclusive, foi foco de investigação interna na Operação Tibagi. Nós requeremos, mais de uma vez, a guia de utilização para extrair o minério e estamos aguardando. O minério é de extrema carência no mercado mundial'', comentam os empresários.
Eles também se queixam do IAP. A Mineradora Tibagiana já atuava anteriormente no Tibagi e, após a Operação da PF, teve sérias dificuldades para conseguir a renovação de suas licenças ambientais.
''As explorações ficaram suspensas. Passado um ano e meio, solicitamos que Curitiba assumisse a questão, e enfim o licenciamento foi concedido pelo IAP da capital, porém com um intervalo de mais de dois anos entre o primeiro protocolo feito em Ponta Grossa até a licença de operação. Uma vergonha para o Estado, para os empresários, para os municípios, enfim para o nosso País. Durante esse processo não operamos arcando com todos os prejuízos decorrentes'', queixam-se.
''Lamentavelmente houve esse atraso, e por dois fatores. Primeiramente, em razão de exigências e intransigências da então chefia regional do escritório de Ponta Grossa. Porém, o que mais influenciou foram as investigações feitas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal. Como medida preventiva, o IAP manteve suspenso o processo até obter um posicionamento sobre o tema junto a tais órgãos federais, o que demorou quase um ano'', responde, em nome do IAP, Harry Telles.
Deixando para trás as turbulências dos últimos tempos e voando rumo às atividades futuras, os mineradores da Tibagiana fazem previsões das mais otimistas.''Nossos estudos estão bem adiantados e serão publicados oficialmente no momento oportuno. Eles ultrapassam qualquer prospecção realizada na região até hoje''.(W.S.)





