O teatro vai à Penitenciária Estadual Feminina
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terça-feira, 05 de abril de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quarenta internas da Penitenciária Estadual Feminina, localizada em Piraquara, na Região Metropoltana de Curitba, puderam participar, ontem de manhã, do Festival de Teatro que acontece na cidade. A peça ''Diário de uma Ladra'' foi encenada dentro do presídio.
O complexo tem cerca de 400 detentas, mas apenas 40, que têm seus bebês na creche da instituição, puderam trocar a rotina da manhã em seus cubículos, para assistir o espetáculo, acompanhadas de seus filhos.
Para ''não expor'' as detentas, a reportagem não foi autorizada a conversar com elas para saber o que acharam da experiência. Mas, segundo o diretor do espetáculo, Arimatan Martins, a receptividade das presas nas apresentações em presídios sempre foi muito boa. ''Elas são as que mais entendem a peça. Depois de ver, é comum nos dar dicas de interpretação, de direção, coisas que fomos agregando à peça'', diz.
A peça ''Diário de uma Ladra'', da Companhia de Teatro os Shakespirados, do Piauí, estreou em 2007 com uma apresentação na penitenciária daquele estado. De lá para cá, teve várias montagens, inclusive em Portugal. O monólogo conta um dia na vida de uma presidiária, a partir do momento em que ela foge da prisão por um túnel. ''A partir daí, durante 24 horas, ela vai relembrando seus deslizes e crimes, desde quando foi presa, aos 10 anos, por um motivo inocente, até ser adulta e cometer crimes mais pesados'', explica o diretor.
O roteiro foi escrito a partir de experiências relatadas por dois grandes escritores do século XIX, o francês Jean Genet, autor de ''Diário de um Ladrão'', e o inglês Oscar Wilde, nos tempos em que eles estiveram em presídios. Também foram agregados relatos atuais sobre a vida na prisão.
Para a diretora da penitenciária, Rita de Cássia Naumann, trazer uma peça para o presídio é importante para a inclusão das presas. ''Ao mesmo tempo em que o público de Curitiba vive um grande festival, elas também têm oportunidade de participar'', disse, ressaltando que toda atividade que venha contribuir para o tratamento penal é importante para a inserção social dos presos.


