O sustento que vem do lixo
O antigo lixão que havia na Estrada do Limoeiro (Zona Leste de Londrina) garantiu o sustento de Marco Aurélio de Freitas Silva, 29 anos, e de seus seis irmãos. ''Meu pai trabalhava com reciclagem e a gente cresceu nesse ambiente. Com sete anos de idade eu já trabalhava para ajudar minha família'', conta.
A profissão aprendida ainda na infância é que garante o sustento de Silva, sua esposa e os três filhos do casal. ''Saí do lixão com 18 anos e passei a coletar material reciclável pelas ruas com um carrinho. Percorria cerca de 20 quilômetros por dia'', lembra Silva.
Segundo ele, fome, cansaço e intolerância eram desafios diários a serem vencidos nesse período. ''Era comum eu passar fome e ficar o dia todo sem ir ao banheiro para conseguir recolher um volume maior de material. Muitas pessoas reclamam dos carrinhos de reciclagem, xingam e buzinam por ter que esperar alguns segundos a mais no trânsito. Só que muita gente não se dá conta da importância desse trabalho, pois sem ele o aterro sanitário já estaria lotado'', ressalta.
Há dois anos, Silva trabalha em um barracão de reciclagem localizado na Vila Brasil (Zona Sul). ''Agora trabalho fazendo a seleção do material reciclado recolhido. Apesar de ser mais tranquilo em relação à rua, a gente tem que conviver com a sujeira e o mau cheiro o dia inteiro. Por isso vou me esforçar ainda mais para garantir que meus três filhos ainda pequenos possam estudar e ter uma profissão mais digna e bem remunerada'', destaca. (M.R.)





