Imagem ilustrativa da imagem O sopão do São Jorge
| Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

A vida não é fácil para Walkíria Moreno, que sustenta a família vendendo espetinhos e doces na própria casa no Jardim São Jorge (zona norte de Londrina). Mas é ainda mais difícil para os vizinhos dela, os moradores da Ocupação Aparecidinha, que teve início há 17 anos e até hoje não foi regularizada.

Para ajudar essa gente, Wal, como é conhecida, serve uma sopa bem encorpada todas as noites das terças-feiras e das quintas-feiras. Ela conta com a ajuda dos tios, que moram no conjunto Vivi Xavier, também na zona norte.

A recessão que o País viveu em 2015 e 2016 e o crescimento pífio nos anos seguintes levaram milhões de brasileiros ao desemprego ou à informalidade. Estima-se que mais de 6 milhões tenham voltado à extrema pobreza. "Tem mulher com oito, dez filhos que não tem o que comer. Vem buscar a sopa e leva mais para almoçar no outro dia. Por isso, resolvemos ajudar”, conta.

Noutras épocas, ela e a tia levavam sopa na ocupação. Hoje, entregam na casa da Wal. A partir das 19h, a fila começa a se formar na rua. Os moradores são servidos na calçada. "Mesmo com chuva e frio, eles vêm. Estamos tentando providenciar um telhado para que possam esperar em frente de casa sem se molhar."

Desempregado há um ano e quatro meses, Cilso Correia Leite, 56, estava na fila da sopa dia 21 de maio, quando a reportagem esteve no local. “Sorte minha é que não pago aluguel, moro na casa da minha mãe. A Wal está ajudando bastante com a sopa. Para mim, faz muita diferença. Arrumar emprego na minha idade está muito difícil" afirma ele, que trabalhava como porteiro.

A manicure Tatiane Ebsen também foi buscar a sopa. "Às vezes, a gente não tem condições", diz a jovem, cujo sonho é ver o Aparecidinha urbanizado e sua casa legalizada.

Pela primeira vez na fila, uma menina de nove anos não via a hora de a sopa chegar. "Tomara que venha rápido e esteja bem gostosa", disse. O desejo dela foi atendido. Marcos Gabriel do Amaral, tio da Wal, estacionou o carro em frente da casa. E junto com a tia Isabel de Fátima Souza descarregou uma panela com 50 litros de sopa. Macarrão, abobrinha, pé e dorso de frango e batata estavam entre os ingredientes.

Amaral, pequeno comerciante do Vivi Xavier, ajuda a servir aos moradores a sopa que a mulher, a sogra e uma vizinha começaram a preparar às 15h. "Tem muito legume para picar. É assim toda terça e toda quinta", conta Souza.

Para facilitar o trabalho, quando o telhado for instalado, a sopa vai ser preparada na casa da Wal. Boa parte dos ingredientes, ela recebe como doação. Na semana passada, os Vicentinos deram mantimentos suficientes para duas sopas. Quando falta alguma coisa, o dinheiro acaba saindo do bolso dos responsáveis pela iniciativa.

SERVIÇO - Quem quiser ajudar o Sopão da Wal pode ligar para (43) 9916 07896

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