O sonho de voar num balão
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de abril de 2002
Silvana LeãoReportagem Local 
A aventura de passear de balão começou cedo. A pedido dos organizadores do campeonato de balonismo, que está acontecendo pela primeira vez na 42ª Exposição Agropecuária de Londrina, eu e o fotógrafo Dorico da Silva chegamos às 6 horas no hotel onde as equipes estavam reunidas com a direção da competição para receber as orientações gerais, no que chamam de briefing. Com os primeiros raios de sol, seguimos em direção ao Parque Ney Braga, pegando carona nas pick-ups utilizadas para carregar os equipamentos.
Naquele horário do dia, a paisagem à beira do lago existente no parque já é bela. Aos poucos, porém, o cenário foi ficando encantador, com o colorido dos balões que começavam a ganhar forma. As equipes trabalham rápido, deixando transparecer a experiência que vem de anos de aventuras pelo céu. Nossa equipe foi desmembrada: eu voaria sob o comando do piloto Miguel Leiva e Dorico seguiria com outra equipe.
Meio anestesiada com tanta beleza, fiz de tudo para não dar asas ao medo. Mas o frio na barriga foi inevitável quando o primeiro balão, carregando uma enorme logomarca da Sociedade Rural do Paraná (SRP) passou calmamente por cima da minha cabeça. Era o guia que deviámos seguir. Em poucos minutos, o céu ganharia um adorno especialíssimo, com cerca de 20 balões voando calmamente pela região. Passei a encarar a aventura como um privilégio, e não via a hora de poder passear ao sabor do vento.
Em poucos segundos o lago, as casas simples da periferia, os pastos e até campos de lavouras passavam como que por encanto sob meus pés. A sensação é única, um misto de paz e satisfação. Só percebi que não estava sentindo medo quando o piloto me perguntou se eu estava gostando da experiência.
Poderia ficar horas ali, em estado de contemplação, mas participávamos de uma prova de precisão (onde os competidores têm um alvo pré-estabelecido), a chamada caça à raposa, e como a raposa já havia pousado, era nosso dever interromper o vôo.
Fui avisada para me abaixar e segurar nas alças internas do cesto de vime, e na sequência veio o primeiro susto do passeio: um vento inesperado atrapalhou os planos de Miguel, que tinha a intenção de pousar em uma estrada rural. Aterrissamos em uma lavoura de soja e fomos arrastados até um cafezal. O solavanco inesperado me causou alguns arranhões e manchas roxas pelo corpo, mas nada que fizesse com que a experiência de voar num balão não valesse a pena. Afinal de contas, eu acabava de realizar um grande sonho.


