O sol é mais quente na periferia
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O sofrimento resultante do forte calor do verão paranaense está longe de ser democrático. Mesmo afetando a todos indiscriminadamente, são os pobres que mais sofrem com as altas temperaturas. A falta de dinheiro deixa muitos londrinenses à mercê não só de um sol de rachar mas também de muitas noites abafadas e mal dormidas. Enquanto quem pode recorre a aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, quem mora em favela ficam sem opção.
As moradias precárias proporcionam condições para o surgimento dos mais diversos tipos de desconforto. O suor constante é apenas um dos problemas. Nessa época do ano, insetos invadem os barracos. Pior ainda quando os visitantes indesejados são cobras e aranhas.
De acordo com um estudo do geógrafo e professor Francisco de Assis Mendonça, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), dependendo do material da cobertura, a temperatura dentro dos barracos podem atingir 70 graus, muito acima da zona de conforto térmico.
As complicações aumentam nos casos dos barracos superpovoados, como o da dona-de-casa Rosália Tomé, 33 anos. A moradia abriga também o marido e cinco filhos, todos menores de idade. Para ela, o calor torna mais difícil a vida dos moradores do Jardim Monte Sião, ao lado do Assentamento Marieta, na Zona Norte de Londrina. Até o simples ato de subir e descer as ladeiras do bairro transforma-se em sacrifício. ''Sinceramente, morar aqui, em toda a época é ruim. Ainda mais com cinco crianças dentro de casa. Quando fica muito quente, a gente só tem um ventiladorzinho velho para refrescar'', conta.
O estudo do geógrado Mendonça, realizado em dez capitais do País, demonstra que esse desconforto tem uma relação íntima com os índices de violência (ver box). Na contra-mão da tendência nacional, a região do Monte Sião e Marieta já passou por tempos em que a criminalidade imperou.
''Hoje está mais tranquilo. Dá para deixar a casa aberta que ninguém mexe em nada. Não tem perigo'', garante a presidente da Associação de Moradores do Jardim Monte Sião, Selma Maria de Assis, 40 anos.
Contentes por viver num bairro que está longe das páginas policiais há tempos, os moradores esquecem-se das vantagens rapidamente ao começar a listar as carências do lugar. Falta de tudo: água e luz regularizadas, asfalto, posto de saúde, creche e escola. Principalmente para as casas localizadas nas proximidades do fundo de vale. Nem ambulâncias ou viaturas conseguem aproximar-se do local.


