A aposentada Juvercina Borges dos Santos, 68 anos, permanece em compasso de espera, pois não sabe como refazer os estragos causados pela forte chuva que castigou regiões de Londrina na tarde de quarta-feira. Ontem pela manhã, ela preferia nem pensar nos prejuízos que teve com a queda do muro de seu vizinho, na Rua José Tetuo Saito, no Conjunto Mister Thomas. O muro tinha pouco mais de três meses, represou um grande volume de água, não aguentou e cedeu sobre sua casa.
No Jardim Alemanha, a população acredita que não verá tão cedo o vento que, dizem, quase transformou-se num tufão. ''Rodopiou numa pancada só, bem aqui em cima'', disse o desempregado Carlos Marques, 51 anos. ''Todas as casas chegaram a tremer.'' Num raio de 100 metros, foram cinco construções atingidas. Numa, um armário chegou a ser arrastadado pelo vento.
Pior foi para a família do desempregado Cícero Martins dos Santos, 30 anos. Ontem, ele pegava no quintal do vizinho toda a parte superior da casa onde morava, arrancada pelo temporal. Não foram só as telhas de amianto que voaram: os caibros que as sustentavam, a tampa da caixa d'água e mesmo fios da rede elétrica e canos de água foram parar sobre a cozinha do vizinho.
No Jardim Higienópolis (área central), a chuva derrubou troncos e galhos de árvores no Zerão, em volta do Lago Igapó, ao lado do Iate Clube e na Rua Professor Joaquim de Matos Barretos. Uma placa de publicidade na região também caiu, danificando parte de um muro.
A Copel atendeu mais de 1.000 ligações de consumidores reclamando da falta de energia. A tendência para hoje e o final de semana é a manutenção do tempo quente e úmido. ''Temporais como o que ocorreram na quarta-feira e ontem podem se repetir'', alertou Samuel Braun, meteorologista do Sistema Memetorógico do Paraná (Simepar).

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