Fotos não autorizadas, perfis falsos, comunidades com fins nada construtivos... Teria o Orkut, site de relacionamentos criado pelo turco Orkut Buyukkoten, perdido sua inocência? Se depender do histórico recente, a resposta é positiva. Em 2005, a Polícia do Rio de Janeiro prendeu dez suspeitos de vender drogas via comunidades do Orkut.
Na última semana, o acesso ao site de relacionamentos foi bloqueado em Pernambuco, após a exibição de imagens de jovens da cidade em trajes mínimos. Em Ponta Grossa, cogita-se que o suicídio de um jovem de 19 anos estaria vinculado às ameaças e impropérios postados em seu perfil.
Não é preciso ir além para avaliar. Em Londrina, por exemplo, duas jovens tiveram que deletar suas contas após aparecerem, cada qual, em um perfil falso, com fotos retratando momentos íntimos.
Para o delegado Demétrius Gonzaga de Oliveira, da Delegacia de Crimes Virtuais, de Curitiba, os autores de crimes na internet devem pensar duas vezes.
''É como uma bomba-relógio. Quem acha que nada vai lhe acontecer deve perder a tranquilidade e o sono por antecipação'', ressalta o delegado, que enaltece os esforços do Ministério Público e do Judiciário para coibir tais práticas.
Sobre as providências a serem tomadas, caso o internauta se sinta lesado, o delegado dá duas dicas antes de se procurar a delegacia mais próxima. ''O primeiro passo é guardar esse material, produzindo a prova por meio de um print screen ou colagem no Word. É importante, sempre, selecionar toda a página, pois ali está contido o id, o endereço de referência, de identificação''.
A segunda recomendação, com o material impresso em mãos, é o de o internauta procurar um cartório e providenciar uma ata notarial. ''Essa ata ajuda bastante, pois, com esse reconhecimento em cartório, fica mais difícil para a defesa alegar que o material foi produzido em programas de montagem ou edição'', ressalta.
No que se refere às prestadoras e a provedores, como o Google, mantenedor do Orkut, Oliveira aposta no bom senso para agilizar os processos. ''As prestadoras precisam tomar consciência de que nós, na qualidade de representantes da segurança pública, não queremos vasculhar esse ou aquele site ou pessoa e, sim, auxiliar quem foi lesado e que nos procura''.
O delegado, que particularmente não vê utilidade em se inscrever no Orkut, faz interessante analogia. ''Imagine você chegar ao Maracanã lotado, com a luz apagada e, de repente, começar a falar, em um microfone, seu nome, endereço, telefone, quem são seus pais, quem é sua família, o que possui... É preciso saber usar o Orkut para não vulnerabilizar sua vida'', sustenta. (T.N)

Serviço:
O Núcleo de Combate ao Cibercrime (Nuciber), em Curitiba, funciona na Rua José Loureiro, 376, 1º andar. Telefone: (41) 3323-9448. O núcleo atende todo o Estado. No interior, recomenda-se à pessoa, que pode ou não solicitar apoio do Nuciber, dirigir-se à delegacia mais próxima.

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