O olhar frio do boneco diante dos entulhos é revelador. Colocado lá pelos ex-moradores de uma área na Favela do Quati, na Zona Norte de Londrina, o manequim registra o protesto e o desalento dos que tiveram seus barracos demolidos por ordem da Justiça. Só sobraram tijolos, pedaços e madeira e ferro e outros materiais usados para levantar as casas. No país das desigualdades, o contingente dos sem-teto ganhou um novo grupo de integrantes. Eles são poucos para figurar nas estatísticas e não têm voz. Resta o silêncio do manequim na vitrine na periferia.

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