O taxista Newton da Silva, um dos mais antigos de Londrina, encara com tranquilidade o momento em que terá que parar de dirigir. ''A gente tem que ser realista. Na hora que precisar, eu paro. Mas enquanto der vou continuar trabalhando'', declara o mineiro de Estrela do Sul, 74 anos. Em seguida ele brinca, revelando um dos motivos de não querer deixar o volante. ''Trabalhar é bom para a gente não ficar o tempo todo em casa, brigando com a velha.''
A carteira de motorista é guardada cuidadosamente em sacos plásticos presos por elástico. ''Renovei faz um mês e pouco'', conta. Ele lembra que estava no Exército quando dirigiu um carro pela primeira vez. ''Era um Ford 33 do meu pai.'' Atualmente Silva tem um Opala Comodoro e um Santana, que divide com o genro no trabalho. ''Hoje em dia eu só vou para o ponto na parte da manhã.''
O taxista se orgulha de ter sido o primeiro motorista de ônibus escolar da cidade, em uma época que só paralelepípedo segurava o barro em algumas ruas, que invariavelmente iam e vinham. ''Eu dirigia uma jardineira azul, que transportava 90 crianças.'' Depois, foi motorista particular e caminhoneiro, antes de se tornar taxista. Lá se vão mais de 30 anos carregando passageiros. Atrás da direção criou sete filhos. Uma catarata quase o fez parar, mas encarou uma cirurgia e nem óculos precisa usar. ''Sempre fui aprovado nos exames para renovar a carteira.''
O segredo para se adaptar ao trânsito cada vez mais violento, ensina, é manter a calma sempre. ''Devagar, sem pressa, tudo dá certo'', diz em ritmo característico o mineiro, que também mantém outros bons costumes, como o de abrir a porta do carro para as senhoras e jamais desrespeitar o passageiro. (S. L.)

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