O risco que vem do lixo
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Em meio a um grande volume de lixo, não é difícil se deparar com o risco. Trabalhadores que lidam diariamente com a coleta domiciliar, seletiva e limpeza pública relatam que é preciso ficar de olhos bem atentos.
Diariamente, eles recolhem todos os tipos de materiais, inclusive vidros, muitas vezes quebrados. "Todo dia tem acidente com corte, principalmente à noite", comenta Rogério dos Santos, supervisor da coleta domiciliar. O gari Antônio Carlos C. Pires, que trabalha há 17 anos carregando toneladas de lixo por dia, já ficou "de molho" em muitas ocasiões. "Me cortei com vidro nos braços e pernas, pois quando os sacos são grandes e pesados, é normal a gente apoiar no corpo para levar até o caminhão. Aí, dependendo do corte, tem até que levar pontos", diz.
Além dos cacos de vidro, Pires chama a atenção daqueles que penduram os sacos em portões ou árvores. "O melhor é colocar na lixeira ou no chão porque a gente não corre o risco do saco rasgar e cair em cima da gente, além disso, tem os cachorros, que tentam nos atacar quando chegamos perto do portão", salienta.
Outra forma boa da população colaborar com esses trabalhadores é embrulhar o vidro em jornais ou papelão ou até mesmo colocar um aviso na sacola plástica. "Tem gente que chega a esperar nossa passagem, que tem dia e hora marcada, para nos avisar. Para nós, é ótimo", conta, animado.
Para Reginaldo Queiroz, gerente da Paviservice, empresa responsável pela coleta domiciliar no município, "hoje, a população está tendo mais cuidado com os vidros, mas ainda é comum encontrar outros tipos de materiais perfurocortantes, como lascas de madeira, pedaços de ferro e até tampas de enlatados. O melhor sempre é embrulhar em bastante papel ou papelão", revela.
Agulhas
E mesmo utilizando luvas, esses profissionais não estão totalmente protegidos. Em um barracão de reciclagem da Cooper Região, a reportagem conversou com Rita de Cássia de Souza, que já levou sete pontos no antebraço, quando sofreu um corte na hora de separar o vidro dos demais materiais.
"Também já me cortei na perna, mas nas mãos é normal porque os recicláveis vêm misturados e a maioria das pessoas não pensa nisso. Ou seja, eles não embrulham ou colocam em outras embalagens e quem se machuca somos nós", acrescenta.
Outro objeto comum são as agulhas para aplicação de insulina, utilizadas em casa pelos próprios pacientes. "Quem é diabético costuma misturar essas agulhas com o reciclável e isso acaba sendo um perigo para nós. A gente pede para que as pessoas coloquem dentro de garrafas pets", diz a recicladora Sara Porfírio Costa.
A assessora técnica de Enfermagem da Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS), Vera Lúcia Roncaratti, acrescenta que a população também pode armazenar as agulhas de insulina em embalagens de produtos de limpeza, mas nunca em recipientes de metal. "A orientação é que esse material seja entregue em qualquer Unidade Básica de Saúde ou até mesmo nas farmácias onde foram adquiridas. Jogar no lixo domiciliar ou reciclável não é certo", ressalta.
Cestos
No centro de Londrina, onde a movimentação de pessoas é grande em qualquer hora do dia, o trabalho de esvaziar as lixeiras e varrer a sujeira não para. Apesar dos trabalhadores não registrarem nenhum "acidente", não significa que o risco não existe. "Como é um local de comércio, a gente acaba encontrando muita coisa nas lixeiras, até restos de limpador de para-brisa. É por isso que a gente procura ficar atento", diz o varredor Luiz Carlos de Souza Laurentino.
Ainda de acordo com Laurentino, uma tarefa não muito agradável é quando um animal morto é encontrado no Calçadão. "Aí a gente tem que embrulhar e avisar a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) que vem recolher. Essa parte é muito desagradável, pelo cheiro, pela situação", completa.
Mas muito mais que os riscos que podem estar dentro das lixeiras, esses trabalhadores reclamam da falta de educação da população. "Muitas vezes a gente está limpando e as pessoas jogam lixo no chão, na nossa frente", aponta.
Fiscalização
O responsável pela Gestão de Resíduos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Gilmar Domingues, afirma que não existem muitos registros de acidentes. Ele destacou que é muito raro acontecer acidentes com coletores devido aos objetos perfurocortantes, tóxicos ou que ofereçam algum tipo de risco biológico. Domingues salienta que a CMTU sempre fiscaliza as empresas quanto ao fornecimento e uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). (Colaborou Vítor Ogawa)


