Em um ambiente hospitalar, todo cuidado parece ser pouco quando a preocupação é o controle de infecções e contaminações. Bactérias, por exemplo, podem facilmente ser transmitidas de uma pessoa a outra por um simples descuido. Um dos setores com potencial para desencadear este tipo de problema não fica à vista de pacientes e visitantes. É a lavanderia, onde, ao contrário do que muitos imaginam, o cuidado não está restrito à lavagem correta da roupa suja.
No final do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revisou uma cartilha sobre o tema lançada há mais de 20 anos, substituindo o termo ''lavanderia hospitalar'' por ''unidade de processamento de roupas de serviços de saúde'' e enfocando o controle e prevenção de riscos envolvidos com a tarefa.
No Hospital Universitário de Londrina, a coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), Cláudia Carrilho, lembra que o principal fator que facilita a transmissão de infecções hospitalares é a má higienização das mãos - ''porque são elas que tocam o paciente, que trocam curativos, que alimentam'' -, mas alerta que o pessoal encarregado pela troca e recolhimento das roupas de cama e dos pacientes precisa ser muito bem orientado. Caso contrário, os trabalhadores podem se tornar potenciais disseminadores de doenças, tanto entre os pacientes quanto entre os colegas de trabalho.
Lençóis e cobertores que são substituídos diariamente das camas, por exemplo, não devem ser chacoalhados porque os movimentos espalham bactérias por todo o ambiente. Peças usadas em locais de alto risco, como centros cirúrgicos e áreas de isolamento, não devem ser misturadas com as de outros setores. Os profissionais envolvidos com estas tarefas precisam usar equipamentos de proteção individual (EPIs) como luvas, aventais e máscaras. Os ''hampers'' (cestos de sacos plásticos ou de tecidos usados na coleta da roupa suja) devem ser transportados com cuidado até o local onde outros profissionais farão a separação por ''sujidade'' - as mais sujas (que contêm sangue ou secreções) demoram mais para serem limpas - e a lavagem propriamente dita.
Os cuidados também não podem ser negligenciados quando a roupa chega à lavanderia, adverte a gerente de hotelaria do Hospital Evangélico de Londrina, Lediana Pais. Devidamente paramentados com EPIs, os funcionários colocam as roupas em máquinas com água quente e produtos químicos e não as manuseiam mais. Em outra sala, que cuida apenas da roupa já lavada, outros funcionários fazem a centrifugação, secagem, calandragem, dobra e checagem (as manchadas são relavadas). Depois, as peças são colocadas para descansar antes de serem arrumadas nos quartos ou usadas pelos pacientes.
No Evangélico, que possui 272 leitos, o volume de trabalho da lavanderia é gigantesco e o trabalho no setor é ininterrupto. No total, o hospital possui perto de oito mil peças e os 38 funcionários chegam a lavar mais de 80 mil quilos de roupas por mês. Durante o inverno, o serviço aumenta por causa do uso de cobertores. ''No pronto-socorro, por exemplo, até a roupa de cama usada pelo paciente que ficou algumas horas tomando soro tem que ser trocada. A regra é: o paciente usou, tem que trocar'', conclui Lediana.

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