Se por um lado trabalhar de madrugada significa melhor remuneração e mais benefícios, por outro pode trazer prejuízos ao organismo, como alerta a neurologista Mônica Marcos de Souza. ''A rotina de horários irregulares acaba por modificar o sono da pessoa. No momento em que ela teria o sono, está trabalhando, ou quando está livre para descansar, não consegue dormir. Isso resulta em alterações importantes do ritmo ciclo sono vigia, dificultando seu relaxamento e o sono reparador'', destaca.

Para ela, a situação do trabalhador noturno é um pouco mais adaptável em relação aos que têm ciclos de mudanças. ''De certa forma, eles conseguem estabelecer um horário de sono constante. Entretanto, grande parte, mesmo dormindo durante o dia, não consegue descansar o tempo necessário. Porém, os mais prejudicados são os trabalhadores em turno, que passam por uma situação clínica de distúrbio chamada privação crônica do sono, e a tendência é dormir cada vez menos.''

Para entender como funciona o organismo durante o sono, Monica explica que há a liberação de vários neurotransmissores e de hormônios. ''Por que o sono à noite é melhor? Porque temos a produção de melatonina, que só acontece no escuro, estimulada pela glândula pineal. Entre a primeira e segunda hora do sono, temos ainda a liberação do sono chamado GH, que é o hormônio do crescimento, que tem um papel fundamental nas crianças, e importante para a fisiologia dos adultos. Entre as seis e oito horas de sono temos o primeiro pico do hormônio chamado cortisol, conhecido como hormônio da perfomance, que nos prepara para o dia.''

Segundo ela, quando não há um sono regular esses picos de hormônios ficam alterados e os relógios biológicos se desregulam. ''Por isso, alguns trabalhadores noturnos têm problemas tanto para dormir durante o dia como para permanecer acordados no trabalho. Isso facilitaria, inclusive, a pessoa sofrer acidentes de trânsito e acidentes no próprio trabalho. Ela não vai ter atenção completa. O rendimento e a produção são diferentes de uma pessoa que tem seu ciclo normal de sono.''

Segundo a neurologista, tanto o organismo quanto o nosso cérebro funcionam como um relógio e devem ter horas adequadas de sono e horas regulares de deitar e acordar. ''Se a cada 15 dias você tem um ciclo diferente, o resultado final é ruim. A pessoa passa a ter irritabilidade, falha de memória, nervosismo, sensação de sonolência, microssonos durante o trabalho e quando for dormir, pode ser o caso de não ter sono.''

Além desses sintomas, a neurologista lembra que as pessoas podem ainda desenvolver algumas doenças. ''A insônia pode causar hipertensão arterial, arritmia cardíaca, queda de imunidade, que facilita as infecções de repetição, como sinusite, dores pelo corpo e infecções do trato urinário. Tudo em função de um sono mal dormido.'' (M.T.)

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