O hábito de escolas enviarem fichas aos pais questionando se podem ou não medicar a criança com antitérmicos ou analgésicos é comum nos dias de hoje. Segundo especialistas, essa prática pode ser perigosa. ''Se para os adultos a automedicação é um grande risco, com as crianças não seria diferente. Mas esse é um erro bastante comum e que ocorre muito mais do que a gente imagina'', alerta o pediatra de Londrina, Milton Macedo de Jesus.
Por isso, Jesus explica que todo atenção é pouca e deve estar presente até mesmo no momento de matricular a criança na escola. Segundo o médico, os pais devem estar atentos se a escola oferece instalações que previnam os acidentes e se há uma supervisão adequada, que garanta um número de cuidadores necessários para uma determinada quantidades de crianças. ''A escola deve oferecer toda uma estrutura de segurança para a criança'', reforça.
No que se refere ao atendimento emergencial, o pediatra orienta que a escola tenha disponível um profissional capaz de oferecer os primeiros socorros. Já na ficha cadastral da criança o pediatra detalha que deve haver somente as informações necessárias sobre o histórico de saúde das crianças, contato dos pais, do pediatra da criança, nome do plano de saúde e do hospital para o qual ela deverá ser encaminhada.
No caso da criança se machucar durante alguma atividade escolar, o médico recomenda que a escola esteja munida de itens de primeiros socorros para ferimentos, como gaze, soro fisiológico, esparadrapo, algodão, curativos com adesivo e gelo, que são fundamentais em casos de batidas e arranhões, muito comuns principalmente em crianças pequenas.
''Qualquer automedicação é contraindicada. Até mesmo água oxigenada e mercúrio não devem ser utilizados, pois algumas crianças são alérgicas a esses medicamentos e podem apresentar uma reação grave'', alerta. ''O melhor mesmo é lavar o ferimento com água, fazer um curativo e, caso necessário, contactar os pais. Já se o ferimento foi feito por algum animal, o correto é só lavar com água e avisar a família.''
Diagnóstico
Conforme Jesus, mesmo que a criança não apresente uma reação alérgica à composição química do medicamento, algumas substâncias podem mascarar alguns sintomas e atrapalhar bastante o diagnóstico e, posteriormente, o tratamento. ''A febre é uma das causas mais frequentes do uso de medicamento na escola e quando abaixo de 38 graus, exceto para a criança que já teve convulsão febril, não deve ser medicada'', complementa.
Para o pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz, Marcelo Reibscheid, nem mesmo os pais podem avaliar qual a dose, composição exata e muito menos diagnosticar se aqueles sintomas indicam realmente um desconforto passageiro somente, por isso a automedicação é tão arriscada. ''No caso do mal estar da criança a impedir de permanecer no colégio até o final do período, os responsáveis devem imediatamente contatar os pais e, se for o caso, o pediatra da criança'', orienta.
Cópia da receita
Quando as crianças tomam algum medicamento de uso contínuo, o pediatra londrinense esclarece que o ideal é que ele seja ministrado antes delas irem para escola. Tudo isso para evitar o mínimo de ingestão de medicamentos na escola. ''Mas, se em último caso, o horário do remédio da criança coincidir com o período em que ela está no colégio, o recomendado é que a escola tenha uma cópia da receita médica'', completa.
O médico lembra ainda que a primeira conduta para evitar que a criança precise de medicação na escola deve existir já nos primeiros anos de vida da criança com o aleitamento materno e a execução de todas as vacinas disponíveis. Isso porque nesse período a criança tende a ficar mais doente, devido à imaturidade do sistema imunológico.

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