Quinze anos de ECA não são suficientes para pôr na ponta do lápis números reais da tragédia, que corta o cordão umbilical da infância de muitas crianças. Casos de abuso e exploração sexual, agressão física, abandono e trabalho infantil, ainda estão invisíveis aos olhos adultos.
''Estatisticamente é difícil estabelecer números'', avalia o presidente do Conselho Tutelar-Centro, Idalto José de Almeida. Se durante uma noite de plantão, o conselheiro recebe 10 denúncias, sendo cinco delas de maus-tratos, outras situações de violência existem.
Para Idalto, os próprios pais estão perdendo os limites. Ele cita o exemplo de uma menina, encontrada toda marcada de cinta nas braços e pernas e que chegou desmaiada ao hospital ao ser esmurrada na cabeça pelo padrasto.
O código do ''olho por olho, dente por dente'', na opinião dos especialistas, não pode pautar as discussões sobre a infância roubada pela violência.
Ao encarar o padrasto agressor do caso citado, a sociedade pode ter a tendência de querer sacar da Lei de Talião - ajustando as contas pela reciprocidade do crime à pena.
''Há um processo de educação na essência, que precisa atender também ao vitimizador'', aponta Almeida.
Em culturas como a indígena, toda a comunidade é responsável pelas crianças. A aldeia da sociedade moderna perdeu esse olhar. ''Na realidade, quando um vizinho denuncia uma situação de violência, está participando efetivamente da sociedade. A comunidade precisa ser mais provocada nesse sentido'', conclui Idalto. (F.L.)

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