O relógio muda e o corpo sofre
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Hoje à noite termina o horário de verão: os relógios devem ser atrasados em uma hora, à meia-noite. Apesar de a maioria dos brasileiros já estar acostumada com o horário de verão, ainda há quem não se adapte tão facilmente. Para alguns, essa troca traz desconfortos principalmente nos primeiros dias.
Segundo o neurologista Cleverson de Macedo Gracia, do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, há uma explicação fisiológica para o mal-estar: ''Nosso organismo tem o ciclo circadiano, que é o período de 24 horas, e é influenciado pela luz solar. Esse relógio biológico encontra-se no núcleo supraquiasmático do hipotálamo, uma estrutura nas profundidades do cérebro''.
Idosos e crianças têm mais dificuldade em adaptar-se às mudanças de horário, ''apesar de ainda não se conhecer a razão'', diz Gracia. Conforme ele, adiantar o relógio é sempre pior que atrasar, ''porque estamos mais propensos a ficar mais tempo acordados à noite do que a acordar mais cedo no dia seguinte. Como se fosse a favor e contra o relógio biológico'', analisa.
Entre os sintomas da dificuldade de adaptação, o neurologista cita insônia, sonolência diurna, cansaço, fraqueza muscular, dores de cabeça, mau-humor, alteração do apetite, distúrbios estomacais, confusão mental, irritabilidade, constipação e queda da imunidade. ''Esses sintomas só são significativos em casos de mais de dois fusos horários, isto é, com variação do horário em duas ou mais horas. Em caso de uma hora, os sintomas tendem a se resolver rapidamente em dois a três dias'', assinala.
Uma dica para amenizar os problemas físicos com a mudança de horário é parar o que estiver fazendo e tirar um cochilo com mais de 45 minutos de duração. ''Cafeína, exercícios e convívio social também ajudam a resolver o problema.''
Recepcionistas de uma academia na Região Central de Londrina, Daiane Freitas Nogueira, 25 anos, e Kelly Cristina Ribeiro, 21, estão acostumadas a acordar cedo, por isso se adaptam facilmente ao horário de verão. ''Aproveito mais o fim da tarde e mesmo precisando acordar no mesmo horário, durmo mais tarde nos dias mais longos'', diz Daiane.
Já Kelly garante aproveitar bem os dias longos e os mais curtos, apesar de levar cerca de uma semana para se adaptar totalmente à mudança nos ponteiros do relógio. ''A principal diferença no horário de verão é que acabo dormindo mais tarde e comendo menos. Mas aproveito mais o calor.''
Para o professor de educação física Ricardo Manholer, 34, a rotina permanece a mesma com ou sem horário de verão: ''Como estou acostumado a levantar cedo todos os dias, nunca sinto diferença no corpo quando muda o horário''. O mesmo acontece com a cabeleireira Paula de Alencar, 32. Como está acostumada a dormir tarde e levantar cedo, o dia a dia não muda com o horário de verão. ''Até prefiro os dias mais longos, aproveito mais.''
A representante comercial Nidia Meira, 46, se adapta a qualquer mudança no relógio, mas prefere os dias mais longos: ''Rende mais, principalmente o final da tarde, quando posso estar com as crianças'', justifica.
Ela diz nunca ter sofrido desconfortos físicos com o horário de verão, apesar de seu relógio biológico precisar de uns três dias de adaptação. ''Minha saída é coordenar a hora de dormir, porque o sono fica um pouco prejudicado no início, mas ainda assim é tranquilo. Até sinto falta do horário de verão.''


