Londrina – O primeiro nome da empresária está nas placas de trânsito, nos ônibus do transporte coletivo, no colégio estadual e na unidade básica de saúde. Ela é Regina Helena Carneiro, a Regina que deu nome ao patrimônio localizado na zona sul de Londrina.
Arnaldo Alves de Camargo, pai de Regina, era advogado e recebeu as terras do patrimônio como forma de pagamento por uma ação ganha na capital do Estado. "Ofereceram dois pedaços de terra para que ele escolhesse um. Agora não me lembro onde ficava a outra terra, mas ele era um homem de muita visão. Londrina estava só começando, só tinha uma pracinha por aqui naquela época", contou Regina.
A convite da FOLHA, a filha do pioneiro voltou ao patrimônio onde reencontrou moradores, relembrou fatos marcantes e foi apresentada aos mais jovens. Ao desembarcar no local, a empresária foi logo reconhecida pela voz. "Desculpe interromper, a senhora é a dona Regina? Não acredito!", disse empolgada a dona de casa Alzira Aparecida Bentin. E as recordações vieram à tona em seguida.
A família do pioneiro Arnaldo Alves de Camargo vivia em Curitiba, onde Regina nasceu. Assim que recebeu as terras como pagamento pela ação judicial, Arnaldo partiu com destino ao interior. A viagem ocorreu por volta de 1940 e parte da mata do atual patrimônio foi derrubada com a ajuda de trabalhadores em busca de emprego. O espaço deu origem à antiga Fazenda Seara que reunia mais de 60 famílias, além de peões solitários. O patrimônio foi formado ao lado da fazenda em uma vila criada para atender as necessidades dos cafeicultores.
O nome Regina foi atribuído à vila no ano em que ela nasceu, 1943. A caçula de quatro irmãos recebeu a homenagem, mas não visitou o local durante a infância. A família permaneceu em Curitiba por causa da falta de infraestrutura no interior. A empresária só chegou à cidade pela primeira vez aos 14 anos. "Eu achei maravilhoso. Eu nunca tinha visto plantação de café. Havia muita gente aqui no patrimônio", lembrou. Ela se mudou para Londrina há, aproximadamente, 20 anos para administrar parte das terras.
No reencontro, Regina e Alzira colocaram a conversa em dia. O pai de Alzira, Antônio Claudionor de Oliveira, administrou a Fazenda Seara por mais de 20 anos. "Quando eu me casei aqui no patrimônio não tinha luz elétrica e a gente teve que colocar um gerador na fazenda", explicou aos risos. "Tudo aqui mudou muito. Era estrada de chão. Quando chovia, as pessoas ligavam e perguntavam para a turma da venda como é que estava na estrada. Eu gosto daqui e vou continuar pra cá. Já desenvolveu bastante", comentou Alzira. As duas trocaram um forte abraço e Regina seguiu o passeio.

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