O Rasgadinho é briguinha, diz o delegado
O delegado de Guaratuba, José Antônio Lucchesi, considera a disputa de terra em Rasgadinho uma briguinha ou discussão boba, que fica difícil cuidar. Apontado pelos agricultores como amigo do fazendeiro e criticado pelo próprio Cavalcanti, que afirma que a polícia não faz nada, Lucchesi está entre a cruz e a espada.
É pressionado pelos agricultores e por Cavalcanti, para os quais Rasgadinho é uma terra sem lei. Está espremido, também, pela falta de infra-estrutura. Não temos condições nem de atender ocorrências aqui, em Guaratuba, que dirá lá, alega o delegado, que conta com o apoio de apenas dois investigadores.
Usando o isolamento da vila como defesa, Lucchesi diz ter feito tudo o que estava ao seu alcance para resolver o impasse, mas acredita ser improvável uma solução. Aquilo vai ser uma eterna confusão. Eles se matam entre eles, afirma o delegado. A descrença do delegado na resolução do caso demonstra que ele é mais um fragilizado.
Apesar dos esforços que Lucchesi diz ter feito e das constantes agressões, ninguém foi preso em Rasgadinho desde 1995, quando o delegado assumiu o comando da Polícia Civil em Guaratuba. As prisões não ocorreram porque os acusados fugiram. Os jagunços sempre estiveram aqui, dizem os moradores.
Mas Lucchesi discorda dos argumentos do moradores de que ele nada tenha feito, como afirmam as partes envolvidas no conflito. Já foram abertos diversos inquéritos, afirma ele, sem lembrar quantos são. O delegado diz não lembrar das agressões físicas à dona-de-casa Margarida. Segundo ele, Margarida pode ter sido atendida por policiais de fora de Guaratuba, já que a queixa foi registrada em dezembro, mês em que ocorre a Operação Verão.
O delegado afirma também não ter idéia do que pode ter provocado o desaparecimento do agricultor José Soares. Em relação à morte do jagunço Joacir, Lucchesi afirma ter um suspeito. Estamos aprofundando as investigações para saber qual a real causa do crime, explica. Para Lucchesi, o envolvimento dos moradores de Rasgadinho no assassinato está descartado. Ele acredita que o homicídio tenha sido motivado por vingança.





