O que será das crianças do primário?
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 1997
Alexandre Sanches Porecatu 
Desde que o Proem foi introduzido no Colégio Estadual Ricardo Lunardelli, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), professores e alunos têm sentido na pele o fim dos cursos profissionalizantes. O único colégio público que mantinha o curso de magistério e contabilidade na cidade registrou uma queda no número de matrículas para o 1º ano em 97. Para o ano que vem, a tendência é diminuir ainda mais.
Este ano, as alunas do magistério, as mais atingidas pelo fim do curso profissionalizante, debateram a situação em vários ciclos de estudos. Segundo Kátia Regina Santos, 18 anos, formanda do 4º ano, a preocupação não é imediata, mas com o futuro da categoria. O que vai ser do primário? O professor é visto como mãe porque centraliza todas as forças ali. Se você não tem didática, metodologia, vai desestruturar o futuro dessa criança. Hoje é difícil encontrar pessoas interessadas em ser professor, imagine com o fim do magistério, analisa.
Cibélia Cecílio, 23 anos, aluna do 3º ano de magistério, também demonstra esta mesma preocupação. Mas garante que não há condições, no futuro, de frequentar os centros de formação como está sendo proposto pelo Estado. Eu tenho uma filha de 4 anos e cuido da minha casa. Fica difícil eu sair daqui para estudar em Londrina. Como eu, muitas pessoas não possuem esta facilidade e nem recursos, já que além do transporte, teremos gastos com alimentação e hospedagem.
A proposta das estudantes é que o Estado amplie o número de centros de formação e diminua as distâncias entre os municípios. Nós ainda somos privilegiadas porque estamos concluindo o magistério. Mas como ficará o futuro das pessoas que querem entrar num curso profissionalizante? E o futuro do magistério?, indaga Kátia.
Para Cibélia, este projeto desvaloriza a categoria. Hoje saímos preparados para assumir uma sala de aula. De repente, não estão levando a questão como deveria. A diretora auxiliar do colégio, Zole Spirandeli Gomes, 36 anos, acredita que o projeto pode ser positivo, desde que haja uma base sustentável para que as pessoas, após concluir o ensino médio, possam se especializar. Na minha opinião, a educação geral tem que vir antes do profissionalizante. Mas o aluno tem que ter motivação e condições para continuar os estudos.
Formada em biologia, Zole ressalta a importância do magistério, mesmo para os professores formados. Para ela, este projeto, como toda mudança, traz prejuízos momentâneos. Seria importante se conseguíssemos alcançar aquilo que está no projeto para reverter estas perdas.


