O que muda em Londrina quando chove?
De 2015 a 2019, mais de 60 mil pessoas foram afetadas por deslizamentos, vendavais, enxurradas e alagamentos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de janeiro de 2020
De 2015 a 2019, mais de 60 mil pessoas foram afetadas por deslizamentos, vendavais, enxurradas e alagamentos
Laís Taine - Grupo Folha 
Londrina registra diversos tipos de ocorrências em períodos de chuvas fortes. De janeiro de 2015 a outubro de 2019, pelo menos 64.806 pessoas foram afetadas por deslizamentos, vendavais, enxurradas e alagamentos. Os números estão registrados no SISDC (Sistema Informatizado de Defesa Civil), mas as consequências vão além. Em dias de chuva, o comportamento muda, mais pessoas deixam os ônibus para saírem de carro, o trânsito fica lento, há queda de energia, e o ritmo segue diferente e menos alegre em comparação aos dias de sol.

“A gente tem diversos registros, desde queda de árvores, alagamentos, inundações, destelhamentos, queda de muros. As pessoas, normalmente, não avisam aos órgãos de segurança. No caso de alagamento, por exemplo, ocorrem em vários pontos da cidade, mas a gente só fica sabendo pelas redes sociais, pela mídia ou pelas viaturas que esteja circulando”, revela o coronel Pedro Ramos, secretário municipal de Defesa Social.
A chuva é um evento natural necessário para a sobrevivência humana, mas quando vem forte pode fazer vítimas. Para evitar consequências mais drásticas, o secretário afirma que o poder público tem feito algumas ações. “Limpeza de bueiro, poda e erradicação de árvores, serviços em galerias pluviais, nós procuramos ter um controle de invasão de áreas públicas, principalmente em fundo de vale, pois acabam sendo afetadas pelas enxurradas”, afirma.
RESPONSABILIDADE DO CIDADÃO
Ainda assim, os serviços não têm sido suficientes para controlar alto volume de água. Nesse aspecto, o secretário alerta também sobre as responsabilidades do cidadão. “Não jogar lixo em via pública, não dispensar móveis e bens usados em fundos de vale, porque isso acaba comprometendo o escoamento da água”, aponta. “Também é importante fazer manutenção preventiva de telhado e calhas, não construir sem orientação profissional ou sem autorização do poder pública e notificar a Sema quando tem árvore comprometida”, ensina.
Segundo o 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Londrina, as ocorrências mudam de acordo com tipo, intensidade e quantidade de chuvas, mas as de maior frequência são decorrentes de alagamentos, inundações e vendavais com destelhamentos. Somente por vendaval, quase 11 mil pessoas foram afetadas nos últimos cinco anos. Os vendavais provocam queda de árvores, destelhamentos e queda de energia. Em 2019, a Defesa Civil registrou 11 ocorrências, com 3.592 pessoas atingidas.
ALAGAMENTOS
A Defesa Civil recebe informações de alagamentos na cidade pelo telefone 199. Os pontos variam de acordo com a quantidade pluviométrica em determinado tempo. De 2017 até setembro de 2019, foram 44 pontos registrados pelo órgão na cidade.
Em 2017, foram 19 pontos anotados contra oito em 2018. Em 2019, o número voltou a subir, apontando 17 locais afetados por alagamentos até o mês de setembro. Desses, 10 foram na região central. “Os maiores índices de alagamentos ocorrem na área central da cidade onde as vias sofrem com a drenagem insuficiente para dar vazão à quantidade pluviométrica”, explicou em documento a coordenadoria da Defesa Civil de Londrina.
O 3º Grupamento de Bombeiros aponta recorrência em algumas vias, como BR-369, rua Professor Joaquim de Matos Barreto, no entorno do Lago Igapó 2, e ruas Bahia e Goiás, no Centro, por exemplo.

SEM ENERGIA
A Copel assume que em períodos de chuva o fornecimento de energia fica comprometido, mas explica que isso ocorre por segurança. “Os eventos climáticos causam curto-circuito por aproximação dos cabos, galhos ou objetos lançados à rede, ou até mesmo por danos a equipamentos, e o sistema é programado para desligar até que a causa dessa intercorrência seja sanada”.
Com as fortes chuvas, com raios e vendavais, a cidade acaba ficando no escuro. Quando há muitas ocorrências simultâneas, a distribuidora revela que a prioridade de atendimento é dada para unidades cadastradas com equipamento vital, como hospitais e postos de saúde. O segundo critério é o número de domicílios afetados.
Do total de desligamentos acidentais que ocorrem no sistema da distribuidora de energia, em média, 46% são decorrentes de fatores relacionados às chuvas, consequência dos seguintes eventos:

TRÂNSITO
Quando o dia amanhece chuvoso, os usuários de transportes mais vulneráveis às chuvas, como bicicletas e motocicletas, assim como pedestres e usuários do transporte coletivo, optam por saírem de carro. “Em dias de chuva há um aumento da frota de veículos na cidade em pelo menos 20%”, aponta o major Sérgio Dalbem, diretor de trânsito da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina).
Com isso, é natural que ocorram congestionamentos e o trânsito fique mais lentos. Além disso, outras ocorrências podem afetar as vias, como quedas de árvores e alagamentos que interditam as vias. “A avenida Dez de Dezembro é um exemplo, ela fica até mais perigosa pelos riscos de aquaplanagem, causando mais acidentes”, revela. Queda de energia também afeta o funcionamento dos semáforos, pedindo mais atenção dos motoristas.
As pequenas colisões também ocorrem com mais frequência em dias de chuva. De acordo com o diretor de trânsito, há um aumento em torno de 5% de pequenas colisões. “Quando o dia amanhece chuvoso, a frota aumenta, mas as pessoas saem mais preparadas. Diferente de quando a chuva vem no meio do dia, o motorista não percebe os cuidados que deve tomar com a pista molhada e acaba acontecendo mais acidentes”, informa. Dalbem alerta também aos cuidados com pedestres em dias de chuva, considerando que a visão do motorista fica comprometida por diversos fatores, como embaçamento, reflexo de luz no piso molhado e outros fatores.

QUEDAS DE ÁRVORES
De acordo com a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), os meses com mais ocorrências de quedas de árvores são os mesmos dos períodos de chuvas fortes na região. Outubro, novembro e janeiro são apontados com maior número de ocorrências, dezembro e fevereiro, ocasionalmente, também atingem número considerável.
“Os registros mais atípicos nos últimos cinco anos ocorreram em outubro de 2019 (276 ocorrências) e novembro de 2017 (106 ocorrências)”, respondeu Alaíde Mateus, gerente operacional da secretaria, com dados de até outubro de 2019. A pasta estima haver 220 mil árvores em ruas, avenidas e canteiros do município.

A secretaria não tem dados de queda de árvores decorrente especificamente das chuvas, apresentando números gerais dos atendimentos, incluindo quedas por falta de espaço no entorno da base, árvores no terço final da vida, copa frondosa e ausência de poda.
No entanto, a Compdec (Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil) informou, por meio da secretaria de Defesa Social, que em 2019 recebeu 258 chamados de pessoas que denunciaram as quedas ocasionadas exclusivamente por chuvas. A região mais afetada por essa ocorrência é a central, o argumento da coordenadoria é de que a área possui árvores mais antigas e maior espaço de vegetação.



