O que leva pessoas como Francisco de Assis Pereira, Marcelo Andrade, Albert De Salvo, Jack, o Estripador, e tantos outros a cometer crimes em série? Especialistas tentam responder a esta pergunta, em livros nos quais expõem as teses mais variadas, mas levam à mesma conclusão: o meio social onde eles vivem exerce forte influência.
O sociólogo americano Jack Levin, autor do livro ‘‘Mass Crimes: The Threath To The US’’ (Assassinatos em Massa: Uma Ameaça para os Estados Unidos), defende a mesma tese para criminosos como Howard Unruh, que em 1950 matou 13 pessoas nas ruas, sempre com uma Bíblia na mão esquerda e o revólver na outra; Charles Manson, líder da chacina que tirou a vida da atriz Sharon Tate e mais cinco pessoas, em 79; ou Jim Shaw, que em julho de 1984, transtornado com sua demissão do emprego, pegou um rifle e matou 24 pessoas numa loja em San Isidro: ‘‘Esse tipo de pessoa se sente marginalizada, teve uma infância triste e odeia a humanidade’’, escreve Levin.
‘‘Nem todos, porém, têm acesso a uma terapia. Assim, eles eventualmente explodem e, num desses acessos, são capazes de fazer o que vem à cabeça.’’ Levin reconhece, no entanto, que casos como o de Manson - que foi condenado à prisão perpétua - são mais difíceis de se resolver com terapia.
Ele admite que nem todos os casos têm uma explicação lógica, e adverte: ‘‘Se não dermos mais atenção às doenças mentais e não tivermos um cuidado maior na divulgação da violência, esses crimes serão ameaças eternas na sociedade’’.
O psiquiatra brasileiro Guido Palomba também acha que um meio social bom pode brecar tendências ruins. Palomba, 49 anos, ex-diretor do Manicômio Judiciário de São Paulo e que há 25 anos faz laudos para a Justiça de todo o País, analisa o comportamento dos acusados de crimes bárbaros, mais especialmente os chamados ‘‘serial killers’’ (assassinos em série), no livro ‘‘Loucura e Crime’’, lançado pela Fiuza Editores. Em sua opinião, os que cometem os crimes mais bárbaros ‘‘têm deformidades na esfera afetiva, são frios de sentimentos, com valores normais e éticos deformados’’. Segundo o psiquiatra, a toxicomania tem colaborado muito para o crime, principalmente o crack e a cocaína.
Boa parte dos especialistas entende que os manicômios judiciários, ou as prisões de segurança máxima, são recomendados aos que demonstram esse tipo de distúrbio mental que leva ao crime. Mas alertam: só o acompanhamento intensivo de psiquiatras e psicólogos irá dizer qual o comportamento deles no futuro. Estudos psicológicos à parte, o autor teatral Bertolt Brecht também traça o perfil do misterioso personagem Jack no final de sua ópera - em versos:
‘‘Pois de que vive o homem? A toda hora
os outros atormenta, despe, ataca, estrangula e os devora!
Só disso vive o homem, de saber
esquecer inteiramente que é humano.
Senhores, não se façam ilusões:
o homem vive só de más ações!’’ (A.F.)Arquivo FolhaPapelVários livros já foram escritos sobre Jack, o Estripador: oficialmente, identidade do matador ainda é considerada uma incógnitaAgência Estado

mockup