Basta uma brisa mais fria para Lucas começar a espirrar. Trocar a roupa de cama, limpar bem o quarto e não desgrudar do antialérgico são medidas que ele adota para conviver melhor com a alergia que o acompanha desde os cinco anos.
O estudante Lucas Dias de Oliveira tem 16 anos e ainda criança foi diagnosticado com rinite alérgica. Ele evita qualquer contato com poeira e ácaros para não espirrar e aprendeu a viver com auxílio de medicamentos. ''Nunca esqueço que tenho rinite'', brincou Lucas, contando que os sintomas da alergia se manifestam o ano todo, mas é no inverno que acontecem as piores crises. E quando a rinite se agrava, a única saída é procurar o médico.
''Iniciei vários tratamentos preventivos contra a alergia, mas nunca continuei. Hoje, tomo remédio para não espirrar tanto'', comentou o estudante, que sente os efeitos da rinite principalmente pela manhã, depois de acordar, devido à diferença de temperatura. ''Não sei mais o que é ficar sem antialérgico, nem os efeitos que ele pode causar no meu corpo'', disse.
Tempo seco, baixa umidade relativa do ar, dias quentes seguidos de noites mais amenas, um tira e põe de blusas de lã: parece que o inverno pede nariz entupido, tosse e dores no corpo. Segundo o otorrinolaringologista Flávio José Barbieri, no frio o choque térmico é maior e agrava não só a saúde de quem tem rinite como contribui para aumentar os casos de gripes e sinusites.
Para complicar, as doenças têm sintomas semelhantes, como entupimento das vias nasais e coriza. Conforme Barbieri, a diferença está na causa: enquanto a rinite é quase sempre alérgica, a gripe é viral e a sinusite é causada por infecção bacteriana.
Segundo o médico, a gripe produz sintomas bem mais intensos que o resfriado comum, que é uma irritação do nariz e não dá febre. ''A pessoa com gripe apresenta febre alta, dores musculares e de cabeça, cansaço e obstrução nasal. O ciclo da doença dificilmente ultrapassa uma semana, enquanto o resfriado pode ser curado em até três dias'', explicou Barbieri.
Já a sinusite ocorre quando há comprometimento dos seios da face (cavidades ocas e cheias de ar) e é infecciosa. Os sintomas vão desde a obstrução e a congestão nasal, pressão e dor na face e nos dentes superiores, alteração do olfato e secreção nasal de cor amarelada até tosse e mau hálito.
Nariz entupido, secreção nasal tipo água de torneira, espirros e coceira no nariz são os principais sintomas da rinite alérgica, que se manifestam minutos após o contato com alérgeno. Ao contrário da gripe e da sinusite, os pacientes não apresentam desconfortos como dores musculares, febre ou indisposições e os sintomas persistem conforme o tipo de agente causador.
Além das causas, o tratamento das doenças também é diferenciado. ''A gripe, por ser viral, não tem remédio e o tratamento é sintomático, com uso de antitérmicos para controlar a febre e descongestionantes. Já a rinite é controlada pelo uso de antialérgicos e a sinusite requer pelo menos 14 dias de antibiótico'', recomendou Barbieri.
Segundo ele, um rinite mal tratada pode levar a um quadro infeccioso, o qual caracteriza a sinusite. ''Cuidados ambientais e uso de antialérgicos durante as crises são as dicas para o controle da rinite alérgica'', sugeriu o médico, lembrando que a bactéria que provoca a sinusite vive normalmente nas vias nasais do indivíduo e só se manifesta quando a pessoa apresenta algum distúrbio no organismo.

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