Qual mãe ou pai já não passou por um sufoco quando um filho pequeno ficou engasgado depois de beber ou comer algo? Em situações como esta é fundamental manter a calma e procurar uma ajuda médica o mais rápido possível.
Na semana passada dois casos chamaram a atenção. Em Londrina, um casal levou a filha de um ano até o posto do Corpo de Bombeiros do Vivi Xavier (zona norte) depois que ela se afogou com leite. A menina chegou inconsciente, mas foi reanimada e em seguida foi encaminhada ao hospital.
Em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), uma mulher salvou a neta de apenas um dia de vida que tinha dificuldades de respirar. ''Ela estava sufocada e não conseguia respirar e nem chorar. Liguei para o Corpo de Bombeiros, fui orientada e aspirei a secreção do narizinho dela e ela voltou a respirar normalmente'', frisou a dona de casa Ivanil da Silva.
A avó reconheceu que está um pouco ''destreinada'' para agir nessas situações e que não sabe se a neta se ''afogou'' com o leite ou se estava resfriada mesmo. Ivanil ressaltou também o auxílio importante repassado pelo socorrista pelo telefone.
A orientação para os pais que passam por esta situação é ligar para o 193 dos bombeiros rapidamente e informar os detalhes ao oficial que irá auxiliar no atendimento. ''Sempre tem um socorrista de plantão que passa as primeiras orientações enquanto a ambulância se dirige até a residência para complementar o atendimento. Este pré-atendimento em muitos casos é fundamental para se preservar a vida da criança'', afirmou o auxiliar de relações-públicas do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros em Londrina, sargento Antônio Carlos Fornazieri.
Em muitos casos as crianças engasgam depois de mamarem. Para evitar isso, o pediatra Mohamad El Kadri, do Pronto-atendimento Infantil (PAI), alerta que é preciso embalar bastante a criança depois de tomar o leite e esperar que ela arrote para evitar que o alimento obstrua a respiração.
No caso da criança ficar sufocada, o médico listou algumas dicas. ''Se ela estiver de barriga para cima, vire-a de lado para desobstruir a via aérea; ligue para o serviço de emergência o mais rápido possível; siga as orientações do socorrista; informe se a criança está apresentando uma cor arroxeada; e se conseguir chegar mais rápido que a ambulância, leve você mesmo a criança até o hospital'', relatou o pediatra. Outra orientação é que, para as crianças com refluxo, a cabeceira do berço deve ficar elevada.
El Kadri alertou que se a quantidade de líquido aspirada for pequena um exame de raio-x pode não detectar na hora o problema e por isso é preciso um acompanhamento posterior. ''Mesmo em pequena quantidade este líquido pode atingir o pulmão e prejudicar a respiração. Só um novo raio-X entre quatro e seis horas após o acidente é que vai detectar. Por isso é importante que o paciente sempre fique em observação durante este período.''
No caso de ingestão de alimentos ou objetos sólidos a preocupação é ainda maior. ''Se uma criança engole uma moeda, pilha ou bateria e fica presa no esôfago, dificultando a respiração, somente com um exame de endoscopia será possível retirá-los'', explicou El Kadri. Quando um pedaço de uma fruta, por exemplo, fica engasgado na garganta, a orientação é para fazer um movimento denomimado manobra. ''A pessoa abraça a criança por trás e aperta um pouco acima do abdômem fazendo uma pressão para dentro para que o alimento salte pela boca e desobstrua a garganta.''

Imagem ilustrativa da imagem O que fazer quando a criança engasga
mockup